Um eclipse solar total previsto para o dia 12 de agosto promete transformar o dia em noite por alguns instantes e mobilizar pesquisadores de diferentes países. Apesar de ser chamado popularmente de “apagão”, o fenômeno não tem qualquer relação com o fornecimento de energia elétrica.
A escuridão será provocada pela passagem da Lua exatamente entre a Terra e o Sol, bloqueando completamente a luz solar em uma estreita faixa do planeta. O eclipse poderá ser observado em sua totalidade principalmente no norte da Espanha e em outras regiões da Europa. Nesses locais, a fase máxima poderá durar até 1 minuto e 40 segundos, criando um cenário semelhante ao início da noite em pleno dia.
No Brasil, o fenômeno não deverá produzir a mesma escuridão e, em grande parte do território, sequer será observado de forma significativa. Para a comunidade científica, entretanto, o eclipse representa muito mais do que um espetáculo no céu. Durante os instantes de totalidade, o bloqueio da luz solar permite observar estruturas normalmente ofuscadas pelo brilho do Sol, como a coroa solar e a cromosfera.
A coroa concentra informações importantes sobre o campo magnético do Sol, o comportamento do plasma e a origem das explosões solares. Essa região pode alcançar temperaturas próximas de 2 milhões de graus Celsius e se estender por milhões de quilômetros além da superfície solar. Os pesquisadores também pretendem aprofundar os estudos sobre as chamadas tempestades solares, que lançam partículas altamente energéticas pelo espaço.
Quando atingem a Terra, esses eventos podem interferir em satélites, sistemas de comunicação, redes elétricas e equipamentos de navegação por GPS, além de representar desafios para missões espaciais. As tempestades solares também estão relacionadas às auroras boreais e austrais. Por isso, os dados obtidos durante o eclipse poderão contribuir para melhorar os modelos de previsão desses fenômenos e reduzir riscos para infraestruturas tecnológicas.
A história mostra que eclipses já contribuíram para importantes descobertas científicas. Em 1919, observações realizadas durante um eclipse na Ilha do Príncipe ajudaram Arthur Eddington a comprovar uma previsão da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein. Atualmente, missões espaciais como a Solar Orbiter, da Agência Espacial Europeia, e a Proba-3 ampliam a capacidade de monitoramento do Sol. A Proba-3, inclusive, foi projetada para produzir eclipses artificiais no espaço.
Os dados coletados por essas missões são considerados fundamentais para compreender melhor a estrela que sustenta a vida na Terra e antecipar eventos capazes de afetar tecnologias utilizadas diariamente. Especialistas alertam, porém, que a observação do eclipse exige cuidados. Nunca se deve olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada. A recomendação é utilizar óculos próprios e certificados pela norma ISO 12312-2 ou métodos indiretos de observação.
Com poucos minutos de duração e uma fase máxima de apenas 1 minuto e 40 segundos, o eclipse de 12 de agosto promete oferecer um espetáculo raro e, ao mesmo tempo, transformar o céu em um verdadeiro laboratório natural para a ciência.
Fonte : GC Mais
