A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a se posicionar contra uma possível aliança entre o PL e Ciro Gomes no Ceará. Em conversa com jornalistas nesta terça-feira (11), ela afirmou que é contrária à aproximação e classificou sua resistência como “visceral”. A declaração ocorre em meio às discussões sobre a formação de alianças para as eleições de 2026 no Estado.
Michelle participou de um evento que reuniu o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, e nomes que disputam vagas ao Senado. Ao ser questionada sobre a possibilidade de aproximação com Ciro, a ex-primeira-dama não deixou a posição em aberto.
“Eu sou, sim, contra essa aliança com Ciro Gomes. É visceral”, afirmou.
A resistência, segundo Michelle, está relacionada à forma como o grupo político pretende construir alianças. Ela defendeu que as decisões eleitorais sejam tomadas levando em consideração a trajetória dos envolvidos e a coerência entre os grupos que pretendem caminhar juntos.
Michelle Bolsonaro explica oposição à aliança com Ciro Gomes
Apesar da oposição à composição, Michelle afirmou que não mantém uma questão pessoal com Ciro Gomes. Segundo ela, a posição está relacionada ao histórico político e às divergências que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Não guardo mágoa, meu coração é limpo, mas é uma questão de coerência, de bom senso”, declarou.
A fala coloca a discussão sobre uma eventual aliança no Ceará dentro de um cenário mais amplo das eleições de 2026. A formação das chapas e das coligações envolve diferentes interesses partidários, e a aproximação entre grupos que estiveram em campos opostos em disputas anteriores pode gerar resistência entre integrantes das próprias siglas.
No caso citado por Michelle, a divergência também passa pelo processo eleitoral que tornou Jair Bolsonaro inelegível.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou Bolsonaro inelegível por oito anos, contados a partir das eleições de 2022, em julgamento realizado em junho de 2023. A Corte considerou, por maioria de votos, que houve abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação em uma reunião com embaixadores estrangeiros realizada no Palácio da Alvorada.
O que a ação do PDT tem a ver com a inelegibilidade de Jair Bolsonaro
A relação citada por Michelle passa pela participação do PDT no processo analisado pelo TSE. O partido apresentou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra Jair Bolsonaro e Walter Braga Netto, então candidatos à Presidência e à Vice-Presidência da República em 2022.
Segundo o próprio TSE, o PDT foi o autor da ação que chegou ao julgamento da Corte. O processo questionava a reunião realizada por Bolsonaro com embaixadores estrangeiros, na qual o então presidente fez críticas ao sistema eletrônico de votação.
No julgamento, o TSE decidiu, por 5 votos a 2, pela inelegibilidade de Bolsonaro. Braga Netto foi excluído da sanção. A decisão teve como fundamento o abuso de poder político e o uso indevido dos meios de comunicação.
É nesse episódio que Michelle fundamenta parte de sua resistência a uma eventual composição com Ciro Gomes. Ciro era uma das principais figuras do PDT durante o processo eleitoral de 2022, quando disputou a Presidência da República pelo partido.
A declaração da ex-primeira-dama, porém, não significa que Ciro Gomes tenha sido pessoalmente identificado pelo TSE como autor da ação. O registro oficial da Justiça Eleitoral aponta o PDT como autor da AIJE. A decisão sobre a inelegibilidade foi tomada posteriormente pelo plenário do tribunal.
PL e Ciro Gomes enfrentam resistência dentro do campo bolsonarista
A manifestação de Michelle expõe uma das dificuldades políticas envolvidas em uma eventual aproximação entre o PL e Ciro no Ceará: a necessidade de conciliar interesses eleitorais locais com posições defendidas por integrantes do grupo bolsonarista.
A resistência apresentada pela ex-primeira-dama se soma ao debate sobre quais alianças podem ser construídas para a disputa estadual. Em uma eleição marcada pela formação de diferentes palanques, partidos podem negociar composições que reúnam nomes com trajetórias políticas distintas.
Michelle, no entanto, sinalizou que vê limites para esse tipo de aproximação. Ao mesmo tempo em que afirmou não ter mágoa pessoal de Ciro, associou sua oposição à necessidade de manter uma linha de coerência nas escolhas políticas.
A posição também ganha repercussão porque ocorre durante um momento de movimentação das forças partidárias para a eleição de 2026. As definições sobre candidatos, alianças e palanques ainda fazem parte das negociações políticas, e declarações de lideranças nacionais podem influenciar as discussões locais.
A possível aproximação entre PL e Ciro Gomes, portanto, não envolve apenas uma negociação entre dirigentes partidários. O tema também mobiliza integrantes do próprio campo político do PL, especialmente quando as alianças colocam lado a lado grupos que estiveram em posições diferentes nas eleições anteriores.
Michelle volta a se manifestar sobre os rumos do PL
A declaração desta terça-feira ocorre em um momento em que Michelle também voltou a aparecer publicamente ao lado de integrantes do núcleo político do PL.
No mesmo dia, ela se encontrou com Flávio Bolsonaro e afirmou que os dois haviam colocado fim às divergências que vinham sendo registradas entre eles. Os dois gravaram inserções para a campanha do senador, candidato do PL à Presidência.
A manifestação sobre Ciro, portanto, ocorreu no mesmo contexto de articulação política envolvendo o partido para a disputa nacional de 2026.
No Ceará, a discussão sobre alianças ganha uma dimensão própria porque envolve lideranças com trajetórias distintas e a necessidade de composição entre projetos eleitorais. A eventual participação de Ciro em uma aliança com o PL dependerá das negociações entre os grupos envolvidos, enquanto declarações como a de Michelle evidenciam que a possibilidade não é consensual entre todos os integrantes do campo bolsonarista.
Até o momento, o que Michelle deixou explícito foi sua posição pessoal contrária à aproximação. Ela classificou a resistência como “visceral” e justificou a decisão com argumentos relacionados à coerência política e ao histórico do PDT no processo que resultou na inelegibilidade de Jair Bolsonaro.
Fonte- GCMAIS
