Dois terremotos registrados em agosto chamaram a atenção para a atividade sísmica no planeta, um no dia 15, a ilha de Flores, na Indonésia, foi atingida por um tremor de magnitude 7,7, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), horas depois, um terremoto de magnitude 5,0 foi registrado em Granada, no sul da Espanha e apesar de ocorrerem em regiões diferentes, os dois eventos apresentaram impactos bastante distintos.
A diferença está principalmente na magnitude dos abalos e na quantidade de energia liberada durante o rompimento das rochas. Um terremoto de magnitude 7 libera cerca de mil vezes mais energia do que um de magnitude 5, já o terremoto registrado na Indonésia provocou dezenas de mortes e deixou milhares de pessoas desalojadas. Em Granada, foram registrados danos mais limitados, como rachaduras em paredes e alguns feridos leves. O episódio também levou ao fechamento temporário da Alhambra, um dos principais pontos turísticos da cidade.
Ao longo de 2026, o planeta registrou 11 terremotos de magnitude 7 ou superior. O número pode parecer elevado, mas está dentro da média histórica observada pelos especialistas., que destacam que os registros de mais de um século indicam uma média de aproximadamente 15 terremotos dessa magnitude por ano.
O ano com maior número de grandes terremotos foi 2010, quando foram contabilizados 23 eventos, sendo que entre eles esteve o terremoto que atingiu o Haiti e provocou mais de 200 mil mortes. Além disso, o aumento da quantidade de sensores espalhados pelo planeta permite atualmente identificar e registrar mais tremores de menor intensidade. Por isso, o crescimento dos registros não significa necessariamente que a Terra esteja mais ativa.
No Brasil, o risco de ocorrência de grandes terremotos é considerado baixo, já que o país está localizado no interior da Placa Sul-Americana, distante das principais áreas de encontro entre placas tectônicas. Mesmo assim, o território brasileiro possui regiões com falhas geológicas antigas que podem apresentar movimentações. Uma delas está na Província Borborema, que abrange áreas do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.
A região já registrou alguns dos terremotos mais fortes do Nordeste, sendo que em Cascavel, no Ceará, um tremor de magnitude 5,2 ocorreu em 1980 e foi sentido em cidades como Fortaleza e Natal. Já em João Câmara, no Rio Grande do Norte, um terremoto de magnitude 5,1 foi registrado em 1986 e provocou danos em milhares de imóveis.
Os episódios mostram que, embora o risco de grandes desastres sísmicos seja baixo no Brasil, tremores de magnitude significativa podem ocorrer. Os dados disponíveis, porém, não indicam que o país esteja diante de uma ameaça sísmica generalizada, e mesmo assim, a atividade registrada em 2026 também permanece dentro dos padrões históricos observados em outras décadas.
Fonte: Portal Terra
