O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, fez um alerta sobre os riscos de relativização da soberania e de enfraquecimento do multilateralismo durante reunião de ministros da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada em Nova York, nos Estados Unidos.
Segundo o Itamaraty, a declaração ocorreu em meio às discussões sobre o cenário geopolítico e a necessidade de preservação da soberania dos países da região. A manifestação acontece enquanto integrantes do governo brasileiro avaliam que os Estados Unidos têm buscado interferir nas eleições brasileiras de 2026.
Mauro Vieira está em Nova York acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que discursa nesta terça-feira (22) na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com auxiliares do presidente, Lula também deve abordar a defesa da soberania em seu discurso, sem citar diretamente o presidente norte-americano Donald Trump.
O tema ganhou destaque após uma conversa telefônica entre Lula e Trump, na qual, segundo relatos de integrantes do governo brasileiro, o presidente dos Estados Unidos mencionou as eleições brasileiras. Lula teria respondido que o processo eleitoral segue normalmente e que o sistema de votação é confiável.
O governo Trump também adotou recentemente medidas que aumentaram as tensões com o Brasil, incluindo tarifas sobre produtos brasileiros, a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais e a indicação de um político norte-americano alinhado à direita para o cargo de embaixador no Brasil.
Candidatura à Secretaria-Geral da ONU
Durante a reunião da Celac, Mauro Vieira também defendeu que os países da região apoiem uma candidatura latino-americana à Secretaria-Geral da ONU, respeitando o princípio de rotatividade entre as diferentes regiões.
O ministro reiterou ainda a posição brasileira favorável à escolha de uma mulher da América Latina ou do Caribe para comandar a organização. O Brasil havia apoiado a candidatura da ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, que desistiu da disputa. Até o momento, o governo brasileiro não anunciou qual candidatura apoiará.
Fonte: G1
