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Leite sem lactose não é totalmente livre de lactose; saiba quanto pode sobrar

Quem tem intolerância à lactose costuma procurar no supermercado produtos com a indicação “zero” ou “sem lactose”
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Quem tem intolerância à lactose costuma procurar no supermercado produtos com a indicação “zero” ou “sem lactose”. Mas, apesar do nome, esses alimentos não são completamente livres do açúcar natural do leite.

Todo leite de vaca contém lactose, geralmente entre 4 e 5 gramas a cada 100 mililitros. Para produzir a versão sem lactose, a indústria adiciona a enzima lactase, responsável por quebrar a lactose em glicose e galactose, facilitando a absorção pelo organismo.

A quebra, porém, não é totalmente completa. Pela legislação brasileira, um produto pode ser classificado como “sem lactose” quando apresenta, no máximo, 100 miligramas de lactose a cada 100 mililitros. Entre 100 miligramas e 1 grama, o alimento é considerado de baixo teor de lactose.

Segundo especialistas, essa quantidade residual costuma ser insuficiente para provocar sintomas na maioria das pessoas. A gastroenterologista Patrícia Holanda Almeida, do Einstein Hospital Israelita, explica que é raro alguém apresentar desconforto com até 100 miligramas de lactose, já que as reações geralmente aparecem após o consumo de quantidades maiores.

Dados de fiscalização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), entre 2021 e 2025, apontaram índices de conformidade superiores a 97% nos produtos lácteos analisados.

Por que algumas pessoas continuam passando mal?

Quando os sintomas persistem mesmo após o consumo de leite sem lactose, nem sempre a causa é a pequena quantidade residual do açúcar.

Entre as possibilidades estão a síndrome do intestino irritável, o supercrescimento bacteriano no intestino delgado e a intolerância a outros carboidratos, como a frutose.

Também existe a possibilidade de a reação estar relacionada às proteínas do leite, como a caseína. Nesse caso, retirar a lactose não necessariamente elimina os sintomas.

É o que ajuda a explicar, por exemplo, a diferença percebida por algumas pessoas ao consumir leite A2. Esse produto não possui menos lactose, mas contém uma variante diferente da proteína beta-caseína.

Intolerância não é o mesmo que má absorção

Outra diferença importante é entre má absorção e intolerância à lactose. Uma pessoa pode apresentar dificuldade para absorver o açúcar e, ainda assim, não ter sintomas.

A intolerância é caracterizada justamente pela presença de sintomas após o consumo de lactose.

Para investigar o problema, médicos podem solicitar exames como o teste genético, o teste respiratório e exames de sangue. A avaliação ajuda a identificar se os sintomas realmente estão relacionados à lactose ou a outra condição.

O que fazer quando o leite sem lactose ainda causa desconforto?

Após a confirmação do diagnóstico e a exclusão de outras causas, o tratamento deve ser individualizado.

Uma alternativa pode ser testar diferentes marcas, já que a quantidade residual de lactose pode variar entre os fabricantes. Em alguns casos, o médico também pode recomendar o uso de lactase em cápsulas ou a redução da quantidade consumida de uma vez.

Quando necessário, bebidas vegetais, como as produzidas à base de aveia ou amêndoas, também podem ser opções.

Especialistas alertam, porém, contra a retirada indiscriminada de alimentos da dieta. Restrições excessivas podem provocar deficiências nutricionais. Por isso, diante de sintomas persistentes, o ideal é buscar avaliação médica antes de eliminar definitivamente leite e derivados da alimentação.

Fonte: G1

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