A investigação sobre a morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, segue em andamento, mesmo após laudo pericial indicar que a jovem morreu em decorrência de uma precipitação voluntária, caracterizada tecnicamente como suicídio. A informação foi confirmada pelo delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez.
Segundo o delegado, a conclusão da perícia está relacionada exclusivamente à dinâmica da queda e não encerra as investigações sobre os fatos que antecederam a morte da estudante. A Polícia Civil continua apurando se houve participação de terceiros, inclusive por meio de eventual induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio. “Não é descartado”, afirmou Gutiérrez ao comentar as diferentes linhas investigativas que permanecem em análise.
De acordo com a autoridade policial, os investigadores buscam reconstruir os momentos anteriores à morte de Isabelle, verificando quem estava no local, os horários de permanência de João Munhoz Neto no apartamento, quando ele deixou o imóvel e quando retornou.
A Polícia Civil também analisa o relacionamento entre Isabelle e João. Conforme o delegado-geral, testemunhas relataram comportamentos considerados compatíveis com situações de controle e isolamento, características que podem estar relacionadas a possíveis episódios de violência psicológica. Os relatos apontam que João teria buscado limitar a autonomia da jovem, restringindo amizades e determinadas interações sociais. As informações, no entanto, ainda estão sendo confrontadas com outros elementos reunidos durante a investigação.
A análise dos celulares é considerada uma das principais frentes do inquérito. Mensagens recuperadas do aparelho de Isabelle indicariam conflitos e comportamentos de controle, além de reforçarem informações prestadas por familiares e pessoas próximas. Outro ponto investigado envolve uma câmera de segurança particular instalada na soleira da porta do apartamento onde o casal morava. A Polícia Civil ainda tenta identificar quando o equipamento foi retirado e quem realizou a remoção.
Os peritos também identificaram uma lacuna de aproximadamente 19 horas nos dados recuperados do celular de Isabelle. O aparelho foi danificado após a queda, e os investigadores ainda não conseguiram determinar se houve exclusão proposital de informações. Além disso, a polícia apura possíveis crimes relacionados à fraude processual, obstrução das investigações ou destruição de provas. João Munhoz Neto foi preso na última terça-feira (22) durante o avanço das investigações. Nesta quarta-feira (23), ele passou por audiência de custódia e teve a prisão preventiva mantida pela Justiça.
Apesar da medida, o delegado-geral ressaltou que ainda não há indiciamento definitivo e que somente a conclusão do inquérito permitirá determinar quais crimes eventualmente poderão ser atribuídos aos envolvidos. A defesa de João nega qualquer participação na morte de Isabelle e sustenta a versão de que a jovem teria cometido suicídio. Enquanto isso, a Polícia Civil mantém abertas todas as linhas de investigação para esclarecer completamente as circunstâncias do caso.
Fonte: GC Mais
