O caso de Júlia Bossoni, jovem que sofreu uma grave lesão após andar na montanha-russa Montezum, do Hopi Hari, chamou atenção para um mecanismo conhecido na medicina como traumatismo por contragolpe. Segundo o laudo médico, a lesão ocorreu durante o passeio na atração.
De acordo com a documentação médica, Júlia sofreu um traumatismo cranioencefálico (TCE) associado a um mecanismo de contragolpe. O fenômeno pode ocorrer quando movimentos intensos de aceleração, desaceleração e rotação fazem o cérebro se deslocar dentro do crânio, podendo provocar lesões e rompimento de vasos sanguíneos.
A jovem deixou a montanha-russa desacordada e foi encaminhada em estado grave para a Santa Casa de Vinhedo. Exames apontaram hemorragia intracraniana e edema cerebral. Júlia precisou passar por uma craniectomia descompressiva, cirurgia que remove parte do crânio para permitir que o cérebro inchado tenha espaço.
Segundo o neurocirurgião Victor Batistela, mesmo sem uma pancada direta na cabeça, movimentos bruscos podem provocar danos internos. “Apenas um movimento brusco de aceleração e desaceleração e rotação do crânio pode fazer a ruptura de vasos sanguíneos cerebrais, causando uma hemorragia intracraniana e levando a um edema cerebral”, explicou.
Júlia permaneceu internada por 57 dias. Cinco meses após o episódio, ainda enfrenta um longo processo de recuperação. Segundo familiares, ela perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo, apresenta dificuldades na fala e falhas de memória. Desde o acidente, já passou por sete cirurgias e realiza fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.
Investigação
O caso é investigado pelo Ministério Público de São Paulo, que determinou uma perícia na montanha-russa para apurar as circunstâncias do ocorrido. A família também acionou a Justiça em busca de esclarecimentos.
O que diz o Hopi Hari
Em nota, o Hopi Hari afirmou que a Montezum possui certificação internacional emitida pelo grupo TÜV Nord e passa por inspeções periódicas. O parque também declarou seguir as normas nacionais de segurança para parques de diversões.
Segundo a administração, placas e avisos sonoros informam os visitantes sobre as características da atração e suas restrições de uso, incluindo contraindicações para pessoas com problemas na coluna, gestantes e portadores de determinadas condições clínicas.
O parque também citou parecer do Ministério Público de São Paulo, emitido em agosto de 2026, segundo o qual não haveria risco coletivo relacionado à atração.
Sobre o caso de Júlia, o Hopi Hari informou que ela recebeu atendimento imediato, foi encaminhada à Santa Casa de Vinhedo e que a direção acompanhou o tratamento, mantendo contato com os familiares e custeando despesas durante a permanência na cidade. A empresa afirmou ainda que disponibilizou um seguro à família.
O parque declarou que a Montezum recebe manutenção preventiva diária, semanal e mensal, além de inspeções periódicas, e informou que mais de 470 mil pessoas passaram pela atração entre janeiro de 2026 e setembro, dentro de um total de mais de 870 mil visitantes no parque no período.
Sobre reclamações registradas por visitantes, o Hopi Hari afirmou que cerca de 40 registros no Reclame Aqui nos últimos dois anos representam uma parcela pequena diante dos aproximadamente 1,2 milhão de visitantes que passaram pela Montezum no mesmo período.
A administração também informou que uma reforma na montanha-russa está prevista para o final de 2026.
Fonte: G1
