Quatorze países da América Latina e do Caribe assinaram, nesta terça-feira (22), um acordo para classificar facções narcotraficantes como “ameaças compartilhadas” e ampliar a aplicação de sanções contra grupos criminosos transnacionais. A iniciativa foi articulada pelos Estados Unidos, por meio do bloco Escudo das Américas, criado em março deste ano por iniciativa do presidente Donald Trump.
A lista de organizações afetadas reúne 24 grupos já sancionados por Washington, incluindo as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), além de cartéis mexicanos, a Mara Salvatrucha, de El Salvador, e o Tren de Aragua, da Venezuela.
O acordo foi anunciado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos em conjunto com Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Trinidad e Tobago. Segundo o comunicado, a medida busca fortalecer ações coordenadas para enfrentar o narcotráfico e organizações criminosas consideradas uma ameaça regional.
O documento prevê a adoção de medidas individuais e coletivas pelos países signatários, respeitando a legislação de cada nação. Entre os próximos passos está uma solicitação formal ao Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) para ativar o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), mecanismo criado em 1947 para coordenação de respostas a ameaças no continente.
Durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Trump afirmou que os Estados Unidos não permitirão que ameaças à segurança do hemisfério avancem e declarou que o país utilizará todos os recursos necessários para enfrentar organizações criminosas transnacionais.
A medida repercutiu no Brasil. Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, integrantes da diplomacia brasileira foram surpreendidos pela iniciativa e avaliam que o tema poderá gerar debates no âmbito da OEA, onde países como Brasil e México historicamente mantêm posições cautelosas em relação a propostas lideradas por Washington.
Nos últimos meses, países da região intensificaram ações conjuntas de segurança, incluindo operações de fronteira e cooperação no combate ao crime organizado. O novo acordo busca ampliar essa articulação e consolidar uma estratégia regional contra facções e redes internacionais de narcotráfico.
Fonte: Diário do Nordeste
