A pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, 14 países da América Latina que integram o chamado Escudo das Américas firmaram, na terça-feira (22), um acordo para classificar organizações narcotraficantes como “ameaças compartilhadas” e adotar sanções contra esses grupos. Ao todo, 24 organizações criminosas foram incluídas na iniciativa, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), do Brasil.
A medida teria surpreendido o governo brasileiro, segundo informações da colunista Mariana Sanches, do UOL. Um embaixador brasileiro ouvido pela jornalista avaliou que a iniciativa pode representar uma nova tentativa de interferência política dos Estados Unidos no Brasil, que se prepara para realizar eleições gerais em 4 de outubro.
O Escudo das Américas foi criado em março por iniciativa de Trump e reúne países considerados aliados do governo norte-americano. Além dos Estados Unidos, o grupo conta com Argentina, Colômbia, Bolívia, Paraguai, Peru, Guiana, Equador, Chile, República Dominicana, El Salvador, Honduras, Panamá e Trinidad e Tobago.
Em comunicado conjunto, os países afirmaram que organizações narcoterroristas transnacionais representam uma ameaça imediata e compartilhada no continente e anunciaram medidas individuais e coletivas para combater esses grupos.
Entre as ações previstas estão o congelamento de bens, restrições de imigração e vistos e responsabilização criminal de pessoas que ofereçam apoio material às organizações. Os 24 grupos já são alvo de sanções dos Estados Unidos, incluindo a Mara Salvatrucha, de El Salvador, o Tren de Aragua, da Venezuela, além de cartéis mexicanos e organizações criminosas do Brasil, Colômbia e Peru.
O acordo também prevê uma solicitação ao Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) para ativar o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), criado em 1947. O mecanismo permite a formação de um órgão consultivo para coordenar respostas conjuntas entre os países signatários.
Durante a Assembleia Geral da ONU, Trump afirmou que os Estados Unidos não permitirão que ameaças contra a América avancem no hemisfério ocidental e declarou que Washington poderá recorrer ao seu poderio militar caso considere necessário.
A iniciativa ocorre em meio ao aumento da cooperação entre países da região no combate ao narcotráfico. Equador e Colômbia, por exemplo, passaram a realizar operações conjuntas, enquanto também cresceram as deportações de suspeitos de crimes entre países vizinhos.
O documento estabelece, porém, que cada país deverá aplicar as sanções e demais medidas previstas de acordo com sua própria legislação. A eventual ativação do Tiar também pode enfrentar obstáculos, já que o tratado é ligado à OEA e algumas iniciativas dos Estados Unidos costumam encontrar resistência de países como Brasil e México.
Fonte: Diário do Nordeste
