Um estudo publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas aponta que o índice de massa corporal (IMC) elevado se tornou, em 2023, o principal fator de risco à saúde da população brasileira, ultrapassando a hipertensão.
O levantamento faz parte do Estudo Global de Carga de Doenças (GBD), conduzido pelo Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME), da Universidade de Washington, com participação de cerca de 200 pesquisadores brasileiros.
Enquanto o país conseguiu reduzir os impactos da hipertensão e do tabagismo nas últimas décadas, o excesso de peso e a glicose elevada apresentaram pouca redução. Segundo os pesquisadores, esse cenário ameaça os avanços obtidos no combate às doenças cardiovasculares.
A história de Martino Galliano, de 57 anos, exemplifica o desafio. Ele chegou a pesar 172 kg e, em 2013, descobriu uma obstrução de 98% em uma artéria do coração. Após a cirurgia, perdeu cerca de 80 kg, chegando aos 92 kg.
Anos depois, durante a pandemia, voltou a ganhar peso. Em 2022, com aproximadamente 115 kg, sofreu um infarto e precisou passar por procedimentos de emergência.
Especialistas destacam que a obesidade é uma doença crônica e que manter o peso perdido pode ser tão difícil quanto emagrecer. O organismo tende a aumentar a fome, reduzir a saciedade e economizar energia após a perda de peso.
Além disso, o excesso de gordura pode contribuir para pressão alta, diabetes, colesterol elevado e formação de placas nas artérias. A gordura abdominal é considerada especialmente prejudicial ao sistema cardiovascular.
Para os pesquisadores, o combate à obesidade exige acompanhamento contínuo, prevenção e políticas públicas que facilitem o acesso a uma alimentação saudável e ao tratamento adequado.
Hoje, Martino mantém uma rotina de exercícios e acompanhamento médico. Para ele, o controle do peso precisa ser permanente: “Saiu da linha, tem que pôr na linha de novo. Senão, complica.”
Fonte: G1
