Um grupo de estudantes da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Marconi Coelho Reis, no município de Cascavel, conquistou uma vaga na final da Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), considerada a maior feira de ciências e tecnologia da América Latina. Agora, a equipe busca apoio financeiro para custear a viagem até Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, onde acontecerá a etapa final do evento ainda neste mês.
O destaque é o projeto CellScale, uma pesquisa desenvolvida por alunos da rede pública estadual que transforma resíduos de escamas de peixe e bagaço de cana-de-açúcar em um biomaterial sustentável com aplicações nas áreas da saúde e do meio ambiente.
A iniciativa é liderada pelo monitor de laboratório João Pedro Monteiro Silva, de 18 anos, ao lado dos estudantes Ana Clara e Carlos Vinícius, com orientação dos professores Guilherme Maciel e Francisco Augusto.
O projeto nasceu a partir da observação de problemas comuns na região, como o descarte inadequado de resíduos da pesca e a contaminação de açudes por óleo e corantes. A partir dessa realidade, os jovens desenvolveram um scaffold, estrutura tridimensional produzida com biocelulose obtida da cana-de-açúcar e hidroxiapatita extraída das escamas de peixe.
A pesquisa recebeu apoio da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que auxiliaram na realização de análises e testes laboratoriais.
Os resultados obtidos chamaram a atenção da comunidade científica. Segundo os pesquisadores, o biomaterial alcançou 100% de remoção de corantes têxteis e óleo mineral contaminante da água, além de reduzir mais de 99,7% da cor aparente e 98,04% da turbidez. O material também pode ser reutilizado por até dez ciclos de filtragem, com custo estimado de apenas R$ 0,02 por aplicação.
Na área biomédica, o produto apresenta potencial para uso em curativos, regeneração tecidual e regeneração óssea, graças à sua biocompatibilidade e estrutura rica em minerais.
Para os estudantes, a classificação para a Mostratec representa o reconhecimento do potencial da ciência produzida nas escolas públicas. A EEMTI Marconi Coelho Reis já acumula importantes conquistas, incluindo quatro participações consecutivas na Regeneron ISEF, considerada a maior feira de ciência e engenharia do mundo.
Apesar do reconhecimento, a equipe ainda precisa arrecadar recursos para custear passagens, hospedagem, transporte e alimentação durante a viagem. Para isso, os estudantes promovem rifas e uma campanha de arrecadação.
“É um orgulho enorme para nós, jovens do interior do Ceará, mostrar que, com criatividade e dedicação, é possível transformar lixo em inovação tecnológica de nível internacional”, destacou João Pedro Monteiro.
A equipe reforça que qualquer contribuição ou compartilhamento da campanha pode ajudar a levar a ciência cearense ainda mais longe e garantir a participação dos estudantes na competição internacional.
Fonte : Diário do Nordeste
