A GoPro, que já foi sinônimo de câmeras de ação, enfrenta uma fase difícil diante do avanço das concorrentes chinesas. No auge, em 2015, a empresa americana vendeu cerca de 6,6 milhões de unidades e chegou a deter mais de 70% do mercado. Atualmente, porém, disputa espaço com marcas como DJI e Insta360, que ganharam força e hoje concentram mais de 90% das vendas globais de câmeras inteligentes portáteis.
A mudança reflete uma transformação mais ampla no mercado de tecnologia. Desde a década de 2010, empresas chinesas passaram a superar concorrentes ocidentais em diferentes segmentos, oferecendo produtos que combinam preços competitivos, qualidade e inovação.
Um exemplo é o setor automotivo. Fabricantes como BYD e Xpeng conquistaram espaço no mercado de veículos elétricos, enquanto marcas chinesas também assumiram posições de destaque no segmento de aspiradores robóticos, pressionando empresas tradicionais.
O que explica o avanço chinês?
Especialistas apontam que o sucesso dessas empresas está relacionado à forte concorrência interna, à integração das cadeias de suprimentos e à rapidez no desenvolvimento de novos produtos. A automação industrial, o uso de inteligência artificial na fabricação e os custos de produção relativamente baixos também contribuem para a competitividade.
Shenzhen, um dos principais polos tecnológicos da China, desempenha papel importante nesse cenário. A concentração de fornecedores e fabricantes permite reduzir custos, acelerar a produção e colocar novidades no mercado em menos tempo.
Para empresas iniciantes, essa estrutura representa uma vantagem estratégica, especialmente em setores nos quais a velocidade de lançamento pode determinar o sucesso de um produto.
Privacidade e segurança geram desconfiança
Apesar da expansão das marcas chinesas, preocupações relacionadas à privacidade e à segurança dos dados continuam presentes. Uma pesquisa citada no levantamento aponta que mais de 90% dos europeus desconfiam de empresas chinesas de tecnologia, enquanto aproximadamente 80% demonstram desconfiança em relação às americanas.
O receio envolve principalmente dispositivos conectados, como câmeras, aspiradores robóticos e veículos elétricos, que podem coletar informações pessoais e transmitir dados pela internet.
Empresas chinesas afirmam cumprir as regras europeias de proteção de dados. Mesmo assim, autoridades apontam dificuldades para fiscalizar possíveis transferências de informações armazenadas em servidores europeus para outros países.
Segundo especialistas, essa desconfiança representa um obstáculo para as companhias chinesas que desejam ampliar sua presença internacional. Para conquistar consumidores, elas precisam demonstrar segurança e oferecer produtos competitivos em preço e qualidade.
Tarifas podem mudar o cenário global
O crescimento das empresas chinesas também tem provocado reações de governos ocidentais. Preocupações com segurança, desequilíbrios comerciais e dependência industrial levaram países a adotar tarifas, restrições e exigências mais rigorosas sobre produtos importados.
Diante dessas barreiras, fabricantes chineses avaliam alternativas como estabelecer parcerias com empresas locais e construir fábricas em outros países.
A expansão da produção para mercados estrangeiros pode facilitar o acesso aos consumidores e fortalecer a confiança nas marcas. Ao mesmo tempo, as tarifas podem estimular empresas chinesas a investir em produtos de maior valor agregado, disputando diretamente o mercado premium com fabricantes ocidentais tradicionais.
Empresas ocidentais precisam encontrar diferenciais
Com a concorrência chinesa cada vez mais forte, empresas ocidentais buscam estratégias para continuar relevantes. Entre as alternativas estão a especialização em nichos de mercado, a oferta de produtos diferenciados e a formação de parcerias com fabricantes chineses.
Outro desafio está na velocidade de resposta dos órgãos reguladores. Especialistas avaliam que processos mais ágeis podem favorecer a inovação e ajudar empresas europeias a competir em um mercado global cada vez mais dinâmico.
O caso da GoPro simboliza essa transformação. Uma empresa que já dominou seu segmento agora enfrenta concorrentes capazes de combinar tecnologia, escala industrial e rapidez. A disputa mostra que, no mercado global, a liderança conquistada no passado não garante a permanência no topo.
Fonte: G1
