Lockdown: muito custo e pouco benefício

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O isolamento radical, conhecido como lockdown, pode trazer mais prejuízos que benefícios. Avaliação é de um cientista, o professor britânico Michael Levitt, 73 anos, da Universidade de Stanford, na Califórnia (EUA), laureado com Nobel de Química em 2013. Segundo ele, a medida foi tomada mais por pânico do que por boa ciência.

O bioquímico e biofísico Michael Levitt afirmou ao jornal The Telegraph, no sábado (23), que o lockdown imposto no Reino Unido pode não ter salvado vidas e até ter custado mais do que outras medidas. “Poderíamos ter ficado abertos como a Suécia naquele estágio e nada teria acontecido”, disse. Levitt previu que a maioria dos países do mundo sofreria uma taxa de mortalidade por causa da covid-19 equivalente a um mês extra durante o ano civil.

A Suécia, citada pelo cientista, não aderiu à onda alarmista do lockdown, nem mesmo à quarentena. Bares abertos, comércio funcionando. O governo orientou a população a tomar as medidas sanitárias de lavar as mãos e manter o distanciamento pessoal. Segundo os profetas do pânico, deveria estar um completo caos.

Não é bem assim. Se comparar com o Ceará, que tomou medidas diametralmente opostas, houve menos contaminação na Suécia, embora registre maior número de mortes. Note que o primeiro caso confirmado no Ceará (15/3) aconteceu um mês e meio depois do vírus chegar a Suécia (31/1).

Com uma população de 9,2 milhões, inferior à da Suécia (10 milhões), o Ceará registrou nesta terça-feira (26/5) 37.021 casos confirmados, já os suecos anotaram 34.440 casos – acima de 2,5 mil casos de diferença. Já o número de óbitos na Suécia é de 4.125, em contraponto às 2.603 ocorridos no Ceará. Lá, a epidemia começou 45 dias antes da ocorrência no Ceará.

Note que a Suécia simplesmente ignorou a quarentena. Já o Ceará não só tomou medidas precoces, como foi o mais rígido. Segundo o Ipea, estado é o mais restritivo no Brasil em relação ao distanciamento social. Se os nórdicos são disciplinados, os cearenses também apoiaram o governo. Monitoramento da plataforma In Loco apontou o Ceará como maior índice de isolamento social.

No ranking dos países, a Suécia está na 25ª colocação em número de casos. Já o Ceará é o terceiro no Brasil, tanto em número absolutos de infectados quanto de morte. Quando a contagem é por lote de um milhão – escala padrão para comprar entes de populações distintas – a situação do Ceará é ainda pior. Só perde para Amazonas, que registra 7.708 óbitos a cada milhão de habitantes. Em seguida, vêm Ceará (4.053) e Maranhão (3.438). O maiores índices de morte por milhão estão no Norte e Nordeste.

O paupérrimo Ceará, cujo PIB tem que ser multiplicado por 20 para se aproximar ao da Suécia, vê sua economia degringolar em função da pandemia. O estado, que vinha crescendo acima da média, experimenta uma inversão. Teve queda na economia mais acentuada que a média nacional.

E ainda por cima, os cidadãos tiveram mitigados seu direitos de ir e vir. Parece mesmo que lockdown foi uma coisa de louco. Terá valido a pena?

Ai que saudade de uma praia.

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