BNDES move ação judicial para cobrar dívida de R$ 1,3 bilhão da supervia

Compartilhe

A medida, segundo o banco, é obrigatória pela regulação do setor bancário e pela legislação que rege o serviço público

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ingressou nesta sexta-feira (26) com uma ação na Justiça visando a execução da dívida da concessionária de trens urbanos do Rio de Janeiro, Supervia, no valor de R$ 1,3 bilhão. A medida, segundo o banco, é obrigatória pela regulação do setor bancário e pela legislação que rege o serviço público, sendo necessária devido à falta de acordo e de um plano estratégico que apresentasse uma solução financeira para o impasse entre o governo fluminense e a concessionária.

O diretor jurídico do BNDES, Walter Baère, destacou que a principal preocupação da instituição, como uma empresa pública que investe em desenvolvimento, é a própria concessão e a melhor prestação do serviço. “O banco é obrigado, por questão de governança, a promover a execução”, explicou Baère. Ele alertou para o risco de colapso do sistema devido à ausência de um plano de recuperação da concessão e pagamento da dívida por parte do estado do Rio de Janeiro.

Baère ressaltou que a dívida não é apenas com o banco, mas com a sociedade brasileira, pois os recursos deveriam estar sendo realocados pelo BNDES para gerar desenvolvimento em outras áreas do país. Ele mencionou que a Secretaria de Estado de Transporte foi provocada diversas vezes ao longo de um ano e sete meses, sem obter uma solução factível para o impasse entre a concessionária e o governo do Rio.

Em nota, a Supervia informou que vinha em negociações com o BNDES, mas devido ao cenário financeiro atual da companhia, já comunicado ao juízo da recuperação judicial, ainda não foi possível formalizar a repactuação da dívida. O governo do estado do Rio de Janeiro, por sua vez, declarou que o contrato foi celebrado entre a Supervia e o BNDES, sem qualquer interveniência do poder público, e que não tem responsabilidade nesse contrato. O governo fluminense afirmou que a Supervia não pode continuar operando o sistema devido à incapacidade de oferecer um serviço de qualidade à população.

Mesmo com o aporte financeiro realizado pela Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram) após a pandemia, a Supervia não foi capaz de recuperar o equilíbrio financeiro, diferentemente de outros modais. A Setram entende que a Supervia deve honrar sua dívida com o estado, em função do não cumprimento dos investimentos previstos em contrato. Os valores apresentados pela empresa estão sendo contestados judicialmente, e a Setram está trabalhando para apresentar uma solução definitiva para os problemas do sistema de transporte ferroviário metropolitano.

O financiamento foi concedido à concessionária em 2013 para apoiar a concessão do serviço de transporte via trens urbanos na região metropolitana do Rio de Janeiro, abrangendo 12 municípios, 270 quilômetros, 104 estações e 201 trens. Os recursos foram investidos na aquisição de trens mais novos e modernos, melhoria da infraestrutura ferroviária e qualidade do atendimento. Segundo o BNDES, os investimentos foram exitosos, resultando no crescimento do uso do modal, que, no seu pico em 2016, atendeu 620 mil passageiros por dia, e atualmente atende cerca de 300 mil passageiros por dia.

Após a brusca redução do movimento de passageiros na pandemia, a Supervia e demais empresas do grupo, controladas pela Guarana Urban Mobility Incorporated (Gumi), que representa o Grupo Mitsui, ajuizaram pedido de recuperação judicial em junho de 2021. O plano de recuperação judicial não contempla o crédito do BNDES, que tem garantia dos próprios recebíveis da concessão, sendo um crédito extraconcursal, ou seja, não participa do consórcio de credores da recuperação judicial.

O BNDES apontou que uma saída para viabilizar a continuidade dos investimentos e prestação de serviço seria por meio de um alongamento e revisão completa do contrato, com um plano para um novo aditivo contratual ou até um meio de relicitação.

Você pode gostar

Marcelo Arantes Silva foi preso em casa, em Goiânia. Segundo a Polícia Civil, o ginecologista tentava ganhar a confiança das pacientes antes de cometer os crimes.
A senadora Soraya Thronicke chamou Frei Gilson de ‘falso profeta’ e o acusou de misoginia em publicação nas redes sociais, gerando repercussão e debate. Post tem mais de 300 mil visualizações.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode se interessar
Publicidade