A menos de quatro meses da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP30, marcada para novembro em Belém, os custos elevados de hospedagem na capital paraense acendem um sinal de alerta entre as delegações internacionais. A escalada de preços tem gerado preocupações entre países participantes, especialmente os menos desenvolvidos, e mobilizou os governos federal e estadual, além do escritório climático da ONU, a buscar soluções.
A Secretaria Extraordinária da COP30, ligada à Casa Civil da Presidência da República, convocou uma nova reunião para o dia 11 de agosto com representantes das Nações Unidas. A pauta inclui temas como transporte, segurança, alimentação e, principalmente, acomodação ponto considerado sensível para a viabilidade da participação de diversos países no evento.
Segundo o governo brasileiro, o plano de hospedagem está sendo implantado por etapas, com prioridade para as delegações envolvidas diretamente nas negociações oficiais. Atualmente, estão disponíveis 2,5 mil quartos individuais, com tarifas entre US$ 100 e US$ 600. Para os 73 países classificados pela ONU como menos desenvolvidos ou pequenos estados insulares, foram reservados 15 quartos por delegação com preços entre US$ 100 e US$ 200. Já para os demais países, a oferta é de 10 quartos por delegação, com tarifas variando de US$ 220 a US$ 600.
A discrepância entre essas tarifas e os preços atualmente praticados no mercado local — que giram em torno de US$ 700 por pessoa, por noite desafia a ajuda de custo diária fornecida pela ONU, fixada em US$ 149 para países mais pobres. A diferença preocupa tanto delegações africanas quanto representantes de nações ricas, que já cogitam reduzir suas equipes diante dos altos custos logísticos.
Para acomodar o público estimado de 45 mil participantes, a organização da COP30 planeja ampliar os atuais 18 mil leitos disponíveis em Belém. A estratégia inclui o uso de dois navios de cruzeiro com capacidade para até 6 mil leitos e a construção de três novos hotéis de alto padrão. Também estão em andamento negociações com plataformas como Airbnb e Booking para aumentar a oferta de hospedagem temporária.
A tensão em torno da acessibilidade do evento ecoou durante uma reunião recente convocada pelo Grupo Africano de Negociadores. O presidente do grupo, Richard Muyungi, defendeu a manutenção das delegações completas e cobrou ações mais efetivas do governo brasileiro. “Não estamos prontos para reduzir o número de participantes. O Brasil tem muitas opções para garantir uma COP melhor. É por isso que estamos pressionando por melhores respostas”, afirmou.
Com o peso simbólico e estratégico da COP30 em solo amazônico, a expectativa é que as medidas emergenciais garantam a inclusão e participação plena de todos os países. Para o Brasil, o desafio é equilibrar infraestrutura local e compromissos internacionais num dos eventos climáticos mais relevantes da década.
