Mesmo com a crescente digitalização dos serviços e relações sociais, 20,5 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais ainda não acessaram a internet em 2024. O dado representa 10,9% da população dessa faixa etária, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), divulgada nesta quinta-feira (24) pelo IBGE. Entre os motivos para o não uso, o desconhecimento sobre como utilizar a rede é o mais citado, por 45,6% desse grupo — o equivalente a 9,3 milhões de pessoas.
A falta de familiaridade com a tecnologia é ainda mais acentuada entre os idosos. Nessa faixa, 66,1% dos que não usam internet disseram não saber como operá-la, apesar do uso entre esse público ter crescido nos últimos anos. Entre os jovens de 10 a 13 anos, por outro lado, o principal motivo para não utilizar a internet é a falta de necessidade, apontado por 33,9% dos entrevistados.
O levantamento mostra que o acesso à internet já alcança 168 milhões de brasileiros — 89,1% da população com 10 anos ou mais — e que o celular é o principal meio de conexão, com 167,5 milhões de pessoas nessa faixa etária utilizando o aparelho. Ainda assim, 5 milhões de crianças e pré-adolescentes de 10 a 13 anos não têm celular, muitas vezes por decisão dos responsáveis. A preocupação com privacidade e segurança, por exemplo, foi citada por 24,1% dos entrevistados dessa idade — um salto em relação aos 17,2% registrados em 2022.
Em relação ao custo, tanto do serviço quanto dos equipamentos, a barreira financeira tem perdido força. Em 2024, apenas 10,9% dos que não acessam a internet citaram questões econômicas como justificativa — em 2022, esse percentual era de 16,2%.
A pesquisa também revelou que o perfil das pessoas desconectadas tende a ser marcado por menor escolaridade e idade mais avançada. Quase três em cada quatro (73,4%) não têm instrução ou possuem apenas o ensino fundamental, e mais da metade (52,1%) são idosos.
O IBGE destaca que o aumento da preocupação com a privacidade na internet, que atingiu 22,5% em 2024, reflete uma tendência crescente na sociedade. Essa percepção, segundo analistas, pode vir tanto dos próprios usuários quanto de pais e responsáveis atentos aos riscos digitais.
Com o objetivo de orientar o uso seguro da internet por crianças e adolescentes, a organização Childhood Brasil lançou uma cartilha com recomendações e informações práticas, acessível gratuitamente ao público. O material busca fortalecer a proteção digital diante do avanço da conectividade no país.
