O jornalista ítalo-brasileiro Mino Carta faleceu nesta terça-feira (2), em São Paulo, aos 91 anos. Fundador e diretor de redação da revista CartaCapital, ele vinha enfrentando problemas de saúde nos últimos meses. A informação foi confirmada pela própria publicação.
Nascido em Gênova, na Itália, Mino chegou ao Brasil em 1946, aos 13 anos, após a Segunda Guerra Mundial. Sua trajetória profissional é considerada uma das mais marcantes do jornalismo nacional. Foi responsável pela criação e direção de revistas que se tornaram referência, como Veja (1968), IstoÉ (1976) e CartaCapital (1994), além de ter participado da fundação do Jornal da Tarde (1966) e do Jornal da República (1979), este último em parceria com Cláudio Abramo.
Com estilo crítico e visão política declaradamente progressista, Mino se destacou pela coragem em enfrentar regimes autoritários e pela defesa da liberdade de imprensa. “Em meio ao autoritarismo do regime militar, as publicações que dirigia denunciavam abusos dos poderosos e davam voz a quem clamava por liberdade”, destacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em mensagem de pesar nas redes sociais.
Mesmo com o reconhecimento de sua obra, Mino manteve ao longo da vida uma visão pessimista sobre o futuro do país. Em entrevistas, afirmava não acreditar em grandes mudanças estruturais no Brasil, a quem atribuía estar preso a uma herança histórica marcada pela desigualdade.
Figura polêmica e admirada, Mino Carta deixa um legado de mais de seis décadas dedicadas ao jornalismo e à formação de veículos que se tornaram símbolos da imprensa brasileira.
