No último sábado (24), o bairro do Flamengo, na zona sul do Rio de Janeiro, foi palco de um importante encontro que reuniu 29 mulheres negras de diversas regiões do estado para discutir os impactos das mudanças climáticas sobre as populações negras e periféricas. A iniciativa, promovida pela ONG Criola, marcou o primeiro de uma série de quatro eventos que integram o projeto Mulheres Negras Construindo o Futuro com Justiça Climática: por Reparação e Bem Viver.
Com foco na preparação para a COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que acontecerá em novembro, em Belém, os encontros buscam fortalecer a presença política das mulheres negras nos espaços de decisão. Segundo a coordenadora programática da Criola, Mônica Sacramento, o evento permitiu a elaboração de diagnósticos territoriais e a formulação de propostas concretas voltadas à realidade das participantes. Questões como enchentes, gestão de resíduos sólidos e os impactos ambientais nas comunidades de terreiro e favelas foram alguns dos temas debatidos.
A ONG destacou que as mudanças climáticas afetam de forma desproporcional as populações negras, indígenas e periféricas, mesmo sendo estas as que menos contribuem para as emissões de gases de efeito estufa. Dados da Oxfam apresentados durante o encontro reforçam essa desigualdade.
Além da COP30, as participantes também se organizam para a Marcha das Mulheres Negras, que será realizada em Brasília, em novembro, como forma de pressionar por políticas públicas reparatórias e pelo direito ao bem viver. Para Mônica Sacramento, garantir a presença das mulheres negras nesses fóruns é uma urgência política e uma medida essencial para enfrentar a crise climática com justiça.
Entre as lideranças presentes estavam Ana Tobossi, do Movimento Negro Unificado, e a Yakekerê Marta Ferreira D’Oxum, do Ile Aşé Omi Lare Iyá Sagbá e do Grupo A Cor da Baixada, reforçando a pluralidade de vozes envolvidas na construção de soluções comunitárias frente à emergência climática.
