Por que há tantos pombos nas cidades brasileiras?

Aves trazidas pelos portugueses, os pombos se adaptaram ao ambiente urbano e hoje dividem espaço entre a simbologia cultural e os desafios sanitários
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Quem caminha pelas ruas das cidades brasileiras já se acostumou a ver pombos em praças, fios de energia ou disputando restos de comida. Embora pareçam naturais do ambiente urbano, essas aves não são nativas do Brasil.

A introdução dos pombos ocorreu no período colonial, no século XVI, trazidos pela Família Real Portuguesa. Inspirados pelos hábitos europeus, os colonizadores trouxeram a espécie tanto para ornamentar os centros urbanos quanto para servir de alimento, assim como acontecia com outras aves criadas em cativeiro.

Com o passar do tempo, muitos pombos escaparam do controle humano e encontraram nos ambientes urbanos condições favoráveis para se reproduzir: fartura de alimento, ausência de predadores e estruturas semelhantes às formações rochosas de sua origem. Telhados e prédios funcionaram como substitutos de falésias e penhascos, garantindo sua permanência próxima às áreas habitadas.

Segundo o ornitólogo Fabio Nunes, o pombo-comum (Columba livia domestica) é descendente direto do pombo-das-rochas (Columba livia atlantis), espécie originária da região do Mediterrâneo, que inclui Europa, norte da África e Oriente Médio. A domesticação dessa ave, segundo registros históricos, remonta à Idade do Bronze, no Oriente Médio e no Egito Antigo.

Atualmente, estima-se que milhões de pombos vivam nas cidades brasileiras, consolidando-se como parte inseparável da paisagem urbana. Sua presença, embora naturalizada, é fruto de um processo histórico que começou há séculos fora do país.

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