Solidariedade de brasileiros cresce, mas a falta preparo diante dos desastres naturais

Apenas 42% das vítimas adotaram medidas preventivas
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Uma pesquisa realizada pela empresa Nexus, a pedido do Movimento União BR, revela que oito em cada dez brasileiros com mais de 16 anos já ajudaram vítimas de desastres naturais. A maioria dessas ações ocorreu por meio de doações de roupas, sapatos, alimentos, água, dinheiro e medicamentos. Apesar do alto índice de solidariedade, o estudo aponta um cenário preocupante: 77% da população nunca tomou qualquer medida preventiva diante do risco de eventos climáticos extremos.

O levantamento ouviu 2.013 pessoas entre os dias 29 de abril e 5 de maio de 2025, em todos os estados brasileiros, e mostra que 21% dos entrevistados já atuaram como voluntários. Quando questionados sobre o destino de suas doações, 52% preferem direcioná-las a causas locais, enquanto 28% apoiam campanhas de alcance nacional. Igrejas, Corpo de Bombeiros e ONGs foram apontadas como as instituições mais confiáveis para mediar essas ações.

Além de mapear comportamentos solidários, a pesquisa revelou que 25% dos brasileiros já vivenciaram ou conhecem alguém que passou por um desastre climático. Os eventos mais frequentes são enchentes e alagamentos, citados por 68% dos afetados. Estima-se que mais de 42 milhões de pessoas já tenham sido impactadas por eventos do tipo no Brasil, sendo que mais de 4 milhões foram vítimas diretas.

Mesmo entre os que já sofreram algum tipo de impacto, a preparação ainda é limitada. Apenas 42% das vítimas adotaram medidas preventivas, como reforço da moradia ou formação de estoques. Entre aqueles que apenas conhecem vítimas, esse índice cai para 31%. A maioria da população (50%) também não sabe onde buscar informações sobre como agir em situações de emergência, como encontrar locais seguros ou acionar serviços de resgate.

A percepção da atuação do poder público também é marcada por desconfiança. Para 42% dos entrevistados, as ações de prevenção dos governos federal, estaduais e municipais são pouco ou nada efetivas. Apenas 7% avaliam a atuação como muito efetiva.

Apesar dos desafios, o estudo aponta uma intenção crescente de engajamento. Cerca de 49% dos entrevistados pretendem se voluntariar futuramente, enquanto 42% planejam doar medicamentos e 29% querem contribuir com água e alimentos. Para os organizadores da pesquisa, os dados revelam um elevado potencial de mobilização, ao mesmo tempo em que expõem a necessidade urgente de políticas públicas mais eficazes de prevenção e informação à população.

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