A queda na natalidade, fenômeno observado em diversas partes do mundo, também avança no Ceará. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última sexta-feira (16), revelam que 18 municípios cearenses registraram menos de 100 nascimentos ao longo de 2023 — o maior número da série histórica. Em 2013, eram 14 cidades nessa condição.
O levantamento faz parte das Estatísticas do Registro Civil, que analisam os nascimentos em todo o território nacional. A média nas cidades com menos de 100 registros é de oito ou menos nascimentos por mês, reflexo de mudanças demográficas e sociais significativas.
Menor número de nascimentos em 22 anos
O levantamento mostra que o Ceará contabilizou, em 2023, 110.128 nascidos vivos, uma queda de 0,9% em relação a 2022 e de 9,8% quando comparado a 2013, quando foram registrados 122.401 nascimentos. Foi o menor número em 22 anos, desde 2001, e representa o quarto recuo consecutivo desde 2018.
Mesmo com grandes polos urbanos impulsionando os números — como Fortaleza, Caucaia, Juazeiro do Norte e Maracanaú —, municípios pequenos vêm registrando quedas acentuadas. São João do Jaguaribe, no Vale do Jaguaribe, teve apenas 42 nascimentos em 2023, o menor número do estado. O município já figurava na última posição em 2013 e 2018, com 53 e 79 nascimentos, respectivamente.
Outros destaques com média mensal de apenas quatro nascimentos foram Ereré (47), também no Vale do Jaguaribe, e Pacujá (50), no Sertão de Sobral.
Municípios com menos de 100 nascimentos em 2023:
- São João do Jaguaribe – 42
- Ereré – 47
- Pacujá – 50
- Guaramiranga – 59
- Baixio – 61
- Itaiçaba – 64
- Umari – 65
- Pires Ferreira – 71
- Granjeiro – 71
- Tarrafas – 79
- Antonina do Norte – 80
- Potiretama – 80
- Altaneira – 80
- Catunda – 81
- Arneiroz – 85
- Deputado Irapuan Pinheiro – 85
- São Luís do Curu – 85
- Palhano – 96
O que está por trás da redução?
De acordo com o IBGE, comparando os dados de 2023 com a média anual de registros entre 2015 e 2019 — período anterior à pandemia —, houve uma redução de 17.393 nascimentos, o que representa uma queda relativa de 13,6%.
O professor e colunista Alexandre Queiroz Pereira, da Universidade Federal do Ceará (UFC), aponta uma série de causas: urbanização crescente, maior inserção da mulher no mercado de trabalho, e dificuldades econômicas das famílias, que levam muitos casais a adiar ou optar por não ter filhos. Ele também destaca o êxodo de jovens de municípios menores para cidades maiores, o que pode causar esvaziamento da força de trabalho local e sobrecarga nas áreas urbanas receptoras dessa população.
Perfil das mães também mudou
O IBGE e o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) observaram ainda a diminuição da proporção de nascimentos entre mães adolescentes e jovens até 24 anos. Segundo Victor Hugo de Oliveira, analista de políticas públicas do Ipece, essa mudança pode ter impacto positivo no combate à pobreza, já que mulheres jovens são mais vulneráveis socialmente.
Ele defende que esse dado seja usado para formular e acompanhar políticas públicas, tanto para prevenção da gravidez na adolescência quanto para oferecer suporte às mães jovens, garantindo seu bem-estar e acesso a direitos.
Utilidade dos dados
As Estatísticas do Registro Civil são divulgadas desde 1974, com base em informações coletadas em cartórios, varas de família e tabelionatos. Os dados ajudam a monitorar a evolução populacional e orientam políticas públicas nas áreas da saúde, educação, previdência, assistência social e economia.
Embora haja avanço na cobertura dos registros vitais, o IBGE reconhece a existência de sub-registros. Em 2023, 2.717 nascimentos foram registrados com atraso no Ceará, seja por ocorrerem em anos anteriores ou fora do prazo legal.
Cenário oposto: as cidades com mais nascimentos
Na outra ponta do levantamento, os municípios mais populosos concentram o maior número de nascimentos. Em 2023, foram:
- Fortaleza – 28.700
- Caucaia – 4.600
- Juazeiro do Norte – 3.700
- Maracanaú – 3.300
- Sobral – 2.700
O contraste entre grandes centros urbanos e municípios com baixo índice de natalidade reforça a necessidade de planejamento regionalizado e ações diferenciadas de políticas públicas, especialmente em saúde e educação, para atender as realidades distintas de cada localidade.
A queda na natalidade, fenômeno observado em diversas partes do mundo, também avança no Ceará. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última sexta-feira (16), revelam que 18 municípios cearenses registraram menos de 100 nascimentos ao longo de 2023 — o maior número da série histórica. Em 2013, eram 14 cidades nessa condição.
O levantamento faz parte das Estatísticas do Registro Civil, que analisam os nascimentos em todo o território nacional. A média nas cidades com menos de 100 registros é de oito ou menos nascimentos por mês, reflexo de mudanças demográficas e sociais significativas.
Menor número de nascimentos em 22 anos
O levantamento mostra que o Ceará contabilizou, em 2023, 110.128 nascidos vivos, uma queda de 0,9% em relação a 2022 e de 9,8% quando comparado a 2013, quando foram registrados 122.401 nascimentos. Foi o menor número em 22 anos, desde 2001, e representa o quarto recuo consecutivo desde 2018.
Mesmo com grandes polos urbanos impulsionando os números — como Fortaleza, Caucaia, Juazeiro do Norte e Maracanaú —, municípios pequenos vêm registrando quedas acentuadas. São João do Jaguaribe, no Vale do Jaguaribe, teve apenas 42 nascimentos em 2023, o menor número do estado. O município já figurava na última posição em 2013 e 2018, com 53 e 79 nascimentos, respectivamente.
Outros destaques com média mensal de apenas quatro nascimentos foram Ereré (47), também no Vale do Jaguaribe, e Pacujá (50), no Sertão de Sobral.
Municípios com menos de 100 nascimentos em 2023:
São João do Jaguaribe – 42
Ereré – 47
Pacujá – 50
Guaramiranga – 59
Baixio – 61
Itaiçaba – 64
Umari – 65
Pires Ferreira – 71
Granjeiro – 71
Tarrafas – 79
Antonina do Norte – 80
Potiretama – 80
Altaneira – 80
Catunda – 81
Arneiroz – 85
Deputado Irapuan Pinheiro – 85
São Luís do Curu – 85
Palhano – 96
O que está por trás da redução?
De acordo com o IBGE, comparando os dados de 2023 com a média anual de registros entre 2015 e 2019 — período anterior à pandemia —, houve uma redução de 17.393 nascimentos, o que representa uma queda relativa de 13,6%.
O professor e colunista Alexandre Queiroz Pereira, da Universidade Federal do Ceará (UFC), aponta uma série de causas: urbanização crescente, maior inserção da mulher no mercado de trabalho, e dificuldades econômicas das famílias, que levam muitos casais a adiar ou optar por não ter filhos. Ele também destaca o êxodo de jovens de municípios menores para cidades maiores, o que pode causar esvaziamento da força de trabalho local e sobrecarga nas áreas urbanas receptoras dessa população.
Perfil das mães também mudou
O IBGE e o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) observaram ainda a diminuição da proporção de nascimentos entre mães adolescentes e jovens até 24 anos. Segundo Victor Hugo de Oliveira, analista de políticas públicas do Ipece, essa mudança pode ter impacto positivo no combate à pobreza, já que mulheres jovens são mais vulneráveis socialmente.
Ele defende que esse dado seja usado para formular e acompanhar políticas públicas, tanto para prevenção da gravidez na adolescência quanto para oferecer suporte às mães jovens, garantindo seu bem-estar e acesso a direitos.
Utilidade dos dados
As Estatísticas do Registro Civil são divulgadas desde 1974, com base em informações coletadas em cartórios, varas de família e tabelionatos. Os dados ajudam a monitorar a evolução populacional e orientam políticas públicas nas áreas da saúde, educação, previdência, assistência social e economia.
Embora haja avanço na cobertura dos registros vitais, o IBGE reconhece a existência de sub-registros. Em 2023, 2.717 nascimentos foram registrados com atraso no Ceará, seja por ocorrerem em anos anteriores ou fora do prazo legal.
Cenário oposto: as cidades com mais nascimentos
Na outra ponta do levantamento, os municípios mais populosos concentram o maior número de nascimentos. Em 2023, foram:
Fortaleza – 28.700
Caucaia – 4.600
Juazeiro do Norte – 3.700
Maracanaú – 3.300
Sobral – 2.700
O contraste entre grandes centros urbanos e municípios com baixo índice de natalidade reforça a necessidade de planejamento regionalizado e ações diferenciadas de políticas públicas, especialmente em saúde e educação, para atender as realidades distintas de cada localidade.
