O Ceará recebeu, na madrugada desta segunda-feira (6), doses de etanol farmacêutico enviadas pelo Ministério da Saúde, substância utilizada como antídoto em casos de intoxicação por metanol. A chegada do medicamento ocorre após o Estado registrar quatro notificações suspeitas no fim de semana — duas já descartadas, enquanto um caso e uma morte seguem sob investigação.
A informação foi confirmada pelo secretário executivo de Vigilância em Saúde da Sesa, Antônio Lima Neto, conhecido como Tanta. Ele explicou que o uso do antídoto depende da confirmação clínica e laboratorial de que o paciente apresenta sinais compatíveis com intoxicação.
“Antes de iniciar o tratamento, são realizados exames como a gasometria, que avalia o pH do sangue. Se o paciente apresentar acidose metabólica, é um indicativo de que o metanol pode estar causando a produção de substâncias ácidas. Só nesses casos o antídoto é administrado”, detalhou o secretário.
O Ministério da Saúde centralizou a aquisição do etanol farmacêutico e distribui as doses conforme a demanda dos estados. Segundo Tanta, o Ceará recebeu uma quantidade considerada ideal para atender possíveis casos, embora o número exato não tenha sido divulgado.
O antídoto, aplicado de forma endovenosa, atua bloqueando a metabolização do metanol no fígado, impedindo a formação do ácido fórmico — composto altamente tóxico que causa os sintomas graves da contaminação.
O governador Elmano de Freitas (PT) havia solicitado o envio das medicações após as notificações registradas no fim de semana. O Governo Federal tem reforçado a distribuição do antídoto a outros estados que também investigam ocorrências semelhantes.
De acordo com a Sesa, os pacientes em investigação no Ceará receberão o tratamento apenas se houver confirmação de sinais clínicos e laboratoriais compatíveis com intoxicação por metanol, garantindo o uso responsável do medicamento.
