O acesso ao 5G no Ceará ainda revela um forte contraste entre moradores da zona urbana e da zona rural. Dados recentes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostram que apenas 10,7% da população rural do Estado consegue utilizar a tecnologia, enquanto, nas áreas urbanas, a cobertura chega a 87% dos moradores.
Os números são referentes a setembro e deixam clara a desigualdade no acesso à internet de alta velocidade. Segundo estimativas baseadas no Censo de 2022, mais de 1,8 milhão de cearenses que vivem no campo permanecem sem cobertura.
Grande Fortaleza concentra maior parte da cobertura rural
Entre os municípios avaliados, a maior oferta de 5G em zonas rurais está na Região Metropolitana de Fortaleza. Maracanaú lidera, com 78,6% dos moradores do campo atendidos, seguido por Eusébio (75,7%), Itaitinga (60,3%), Itaiçaba (54,4%) e Caucaia (54,1%).
Esses são os únicos municípios que superam metade da população rural com acesso à nova tecnologia. Por outro lado, 22 cidades não têm qualquer cobertura nas áreas rurais, incluindo Araripe, Aratuba, Fortim, Itarema, Meruoca, Parambu e Santana do Cariri.
governo cria incentivo para ampliar infraestrutura
Para tentar reverter o cenário, o Governo do Ceará publicou, no fim de novembro, um decreto que concede crédito presumido de ICMS às empresas de telecomunicações que investirem na expansão de redes de voz e dados. O foco é justamente ampliar o 5G em regiões rurais, comunidades indígenas e quilombolas — áreas onde a conectividade é mais frágil.
A Secretaria da Fazenda informou que estudos continuam sendo realizados para garantir que todas as regiões recebam melhorias nos próximos anos.
na zona urbana, cobertura é quase total em algumas cidades
Apesar das dificuldades no campo, o cenário urbano é mais favorável. Catarina, Itaiçaba e Pacujá já contam com 100% da população urbana atendida pelo 5G. Fortaleza, Maracanaú, Acarape e Altaneira também se aproximam desse patamar, ultrapassando 99% de cobertura.
Mesmo assim, o Estado ainda possui 37 municípios sem qualquer cobertura urbana, entre eles Ararendá, Barreira, Cruz, Hidrolândia, Mucambo e Tarrafas.
O desafio agora é reduzir essa distância entre campo e cidade, garantindo que o avanço tecnológico chegue também às regiões onde o acesso à internet ainda é limitado.
