Uma distribuidora localizada no bairro Joaquim Távora, em Fortaleza, foi interditada nesta sexta-feira (15) durante uma operação que investiga a comercialização de medicamentos falsificados e sem registro. A ação foi conduzida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em parceria com a Secretaria da Saúde do Ceará, a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis) e a Polícia Civil.
Os fiscais cumpriram um mandado de busca e apreensão no estabelecimento, após tentativa frustrada de vistoria dois dias antes, quando um funcionário impediu a entrada das equipes. No local, foram encontrados lotes falsificados do imunoterápico Keytruda (pembrolizumabe) — utilizado no tratamento de câncer e de alto valor comercial — além de outros medicamentos vencidos, sem registro e armazenados de forma inadequada.
Segundo a Anvisa, a ausência de registro sanitário representa grave risco à saúde pública, já que impede a comprovação da eficácia, da segurança e da origem do produto. O caso foi encaminhado ao Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil, que dará continuidade às investigações.
A distribuidora passou a ser investigada após denúncia feita por um hospital de Palmas (TO), que relatou irregularidades em frascos do Keytruda adquiridos no estabelecimento. Entre os problemas identificados estavam embalagens diferentes das originais, ausência de informações sobre lote e validade na nota fiscal e falhas no transporte, sem controle de temperatura.
A própria fabricante do medicamento, Merck Sharp & Dohme, confirmou que os lotes denunciados não correspondiam a sua produção. Os frascos apresentavam rótulos em inglês, selo de segurança falso e inscrições em árabe, indícios que confirmaram a falsificação. O caso já foi comunicado à Organização Mundial da Saúde (OMS).
Meses depois, um hospital em Vitória da Conquista (BA) registrou queixa semelhante, reforçando as suspeitas contra a empresa cearense.
