A Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec) deve iniciar, nos próximos dias, um movimento organizado contra a renovação da concessão da Enel Ceará, responsável pela distribuição de energia elétrica no estado. A iniciativa foi confirmada pelo presidente da entidade, Amílcar Silveira, que classifica como crítica a situação enfrentada pelo setor agropecuário em razão da qualidade do fornecimento de energia.
Segundo a Faec, no próximo sábado, dia 17, será realizada uma reunião na sede da federação com presidentes de sindicatos rurais, produtores e empresários do agronegócio. O encontro tem como objetivo consolidar uma posição conjunta e levantar, de forma detalhada, os principais entraves relacionados ao serviço prestado pela concessionária, considerados prejudiciais à agricultura e à pecuária cearenses.
Os problemas mapeados durante a reunião deverão ser apresentados diretamente ao presidente da Enel Ceará Distribuição, José Nunes, em um encontro presencial marcado para a segunda-feira, dia 19, com representantes de diferentes segmentos do setor agropastoril.
Queixas sobre oscilações constantes de energia, quedas de tensão e prejuízos a equipamentos têm sido recorrentes entre produtores, especialmente em regiões estratégicas para o agronegócio, como a Chapada do Apodi. No município de Limoeiro do Norte, por exemplo, a Fazenda Nova Agro, produtora de soja e algodão, afirma estar impossibilitada de expandir sua área cultivada devido à instabilidade da rede elétrica. De acordo com o gerente Fernando Gurgel, a variação constante da tensão tem causado danos frequentes a pivôs centrais e outras máquinas essenciais à produção.
Mesmo após diversas reuniões com técnicos e diretores da concessionária, o problema, segundo os produtores, persiste. “A instabilidade da rede continua gerando prejuízos crescentes e impede novos investimentos. Essa realidade se repete em várias propriedades da Chapada do Apodi e em outras regiões do Ceará”, relatou Gurgel.
Para Amílcar Silveira, o setor produtivo chegou ao limite. Ele afirma que a federação irá mobilizar produtores de todos os portes para pressionar tanto a Enel quanto o Governo do Estado. A Faec defende que a concessão não seja renovada, alegando falhas técnicas, administrativas e financeiras por parte da distribuidora.
A reunião do sábado ocorrerá a partir das 8h, na sede da Faec, localizada na Avenida Eduardo Girão, em Fortaleza. Já o presidente da Enel Ceará, José Nunes, confirmou o encontro com lideranças do agronegócio e informou que apresentará o plano de investimentos da empresa, que prevê aportes de R$ 7,4 bilhões entre 2024 e 2027, incluindo construção de novas subestações e modernização da rede existente.
Apesar do anúncio dos investimentos e da promessa de melhorias, especialmente na Chapada do Apodi ainda neste ano, a Faec mantém sua posição contrária à renovação da concessão. “A insatisfação é generalizada. O setor não suporta mais conviver com um serviço que compromete a produção e o crescimento do agro cearense”, afirmou Amílcar Silveira.
