Feminicídios no Ceará: 6 das 30 cidades com vítimas não têm equipamentos de proteção

Desigualdade de acesso a equipamentos influencia denúncias de violência. Ceará investe em descentralização e tem 73 equipamentos, entre delegacias, Casas da Mulher e Salas Lilás
Compartilhe

Em 2025, 30 cidades do Ceará registraram 47 feminicídios. Desses municípios, seis não contam com nenhum equipamento de proteção a vítimas de violência doméstica, como delegacias especializadas, Casas da Mulher ou Salas Lilás.

Em um cenário de violência no qual todos os 184 municípios registraram crimes no âmbito da Lei Maria da Penha nos últimos sete anos, o Estado busca ampliar a rede de acolhimento.

Acopiara, Bela Cruz, Canindé, Cascavel, Crateús e Missão Velha tiveram mulheres vítimas do crime no ano passado e não tinham nenhum dos aparatos citados. Acopiara é a única cidade da lista com mais de um feminicídio, tendo duas vítimas computadas.

Somados, esses municípios também registraram 1.013 casos de violência doméstica em 2025. Se destacam Canindé, com 319 casos, e Crateús, com 313.

Em 2026, outros quatro feminicídios ocorreram em cidades que não tem equipamentos de proteção: em Barro, Tianguá, Ipaporanga e Boa Viagem.
Ter um espaço de acolhimento próximo de onde moram é essencial para as vítimas conseguirem quebrar o ciclo da violência e procurar ajuda. A pesquisadora Beatriz Schroeder de Almeida, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, explica que a proximidade pode ser um fator decisivo.
“Uma vítima de violência doméstica quando finalmente decide denunciar, já se encontra em um estado de intensa vulnerabilidade. Qualquer coisa pode afetar positivamente ou negativamente a decisão de buscar ajuda. O tempo que ela leva para chegar numa casa abrigo ou no Instituto Médico Legal pode ser decisivo para que ela não volte atrás na decisão”, diz.
A desigualdade de acesso aos equipamentos que atendem mulheres em situação de violência é uma realidade em todo o Brasil.

Beatriz detalha que a maior diferença está entre municípios de grande e pequeno porte. Somente 5% das cidades de pequeno porte têm Delegacia de Defesa da Mulher, segundo pesquisa do Fórum.

Fortaleza conta com os três tipos de equipamento: duas DDMs, uma Casa da Mulher Brasileira e três Salas Lilás. A Capital concentrou o maior número de feminicídios, com oito crimes, e 9.161 casos de violência doméstica.

No entanto, das outras 29 cidades que tiveram vítimas com desfecho fatal da violência de gênero, sete têm Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), 14 têm Casas da Mulher e oito têm Salas Lilás.



Você pode gostar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode se interessar
Publicidade