Empresário e advogada cearense estão entre os investigados por liderar esquema bilionário na fraude do INSS no Ceará

Outra suspeita de participar do esquema é a ex-deputada federal Gorete Pereira
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A fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ou ‘farra do INSS’, termo usado em relatório da Polícia Federal na Operação Sem Desconto, teria contado com a participação de empresário, advogada, testas de ferro e até mesmo uma ex-deputada federal. Todos estes com atuação no Ceará, segundo decisão da Justiça Federal determinando busca, apreensão e quebra do sigilo bancário em diversos endereços em Fortaleza.

O juiz da 11ª Vara da Justiça Federal do Ceará cita, tendo como base as investigações, ‘valores astronômicos’ da organização criminosa formada para “cometer estelionato e lavagem de dinheiro”.

Juntos, os investigados teriam movimentado, pelo menos, R$ 1,3 bilhão a partir do “desconto indevido de mensalidades associativas em aposentadorias e benefícios do INSS sem o conhecimento ou autorização de seus beneficiários”.

No Ceará, foram apreendidos veículos de luxo, como uma Ferrari e um Rollys-Royce, além de dezenas de sapatos avaliadas, cada par, em torno de R$ 40 mil.

O empresário Natjo de Lima Pinheiro é, segundo a Justiça Federal, “um dos principais gestores das associações investigadas, sendo um dos maiores envolvidos nas transações suspeitas relacionados aos valores astronômicos movimentos para associações, originados de valores obtidos através de milhares de descontos fraudulentos dos benefícios de aposentados pelo INSS, havendo grandes indícios que a operação das associações se dava em conjunto”.

Natjo é proprietário de clínicas e laboratórios de saúde. Junto a ele está o nome da advogada Cecília Rodrigues Mota. Conforme as investigações, a dupla contava com ‘testas de ferro’ para as movimentações financeiras.

Pelo menos três carros de luxo foram recolhidos da garagem da casa do empresário. O imóvel é avaliado em, aproximadamente, R$ 27 milhões, sendo um dos mais caros e luxuosos do Ceará.

VIAGENS INTERNACIONAIS
De acordo com documentos obtidos pela reportagem, Cecília já empregou a esposa do empresário em seu escritório de advocacia “destinatário de altos valores oriundos dos descontos indevidos autorizados pelo INSS”.

Cecília foi presidente de duas associações suspeitas de aplicar os golpes, a Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen) e a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB).

As defesas do empresário e da advogada não foram localizadas pela reportagem

Já a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Secção Ceará informa que “já foi aberto um procedimento interno de verificação de conduta ética-disciplinar, além de outras providências. Por força da Lei nº 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil), no §2º do art. 72º, o andamento dos processos disciplinares no Tribunal de Ética e Disciplina (TED) é sigiloso, só tendo acesso às suas informações as partes, seus defensores e a autoridade judiciária competente”.

Consta também no documento que a advogada levava uma vida de luxo, tendo “três veículos de luxo adquiridos pela operadora do direito nos anos de 2023 e 2024, que anteriormente só ostentava um veículo popular sob sua propriedade”.

Segundo a Polícia Federal, Cecília viajou 33 vezes em menos de um ano, com destinos como Dubai, Paris e Lisboa, e na companhia de outras pessoas ligadas ao esquema.

Natjo teria sido um destes acompanhantes em 15 ocasiões, tendo supostamente recebido R$ 400 mil em operações das empresas de Cecília.

Em uma viagem até Dubai, a dupla e outros dois amigos teriam transportado 31 malas, o que para a Polícia é “incomum para uma viagem internacional de 7 dias”.

Ainda de acordo com a Justiça Federal, as operações suspeitas feitas pela advogada “denotam sua relevância como operadora financeira e uma das líderes da organização criminosa”.

EX-DEPUTADA GORETE PEREIRA
O nome da ex-deputada federal e fisioterapeuta Maria Gorete Pereira também é mencionado como investigada neste caso. Segundo a Justiça, ela “recebeu procuração da associação AAPEN para celebrar o Acordo de Cooperação Técnica com o INSS”.

Assim, Gorete tinha ‘amplos poderes’. Consta ainda na investigação que a ex-parlamentar movimentou quase R$ 245 mil em transações suspeitas, entre 2018 e 2023.

A reportagem procurou a ex-deputada, não reeleita desde 2018, mas não teve retorno até a publicação desta matéria.

Fonte- Diário do Nordeste

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