Apesar dos avanços nos últimos anos, o acesso ao saneamento básico continua sendo um desafio para parte significativa das escolas do Ceará. De acordo com o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, produzido a partir dos dados do Censo Escolar 2024, 55% das instituições públicas e privadas de ensino no estado ainda não estão conectadas à rede pública de esgoto.
A situação é mais crítica na rede pública: das 5.932 escolas, 65% não contam com ligação ao sistema. Já entre as instituições privadas, o índice é bem menor — 18,7% permanecem sem acesso ao serviço. No ranking nacional, o Ceará ocupa a 16ª posição, com São Paulo na liderança (95,1% das escolas atendidas) e o Amapá em último (10,6%).
Quanto à coleta de lixo, os dados também revelam desigualdade. Enquanto quase todas as escolas particulares (99,8%) recebem o serviço, apenas 86,3% das unidades públicas têm cobertura, deixando o Ceará na 12ª posição nacional.
Diferenças entre áreas urbanas e rurais
Os números mostram ainda discrepâncias internas. Na rede estadual, 60,3% das escolas possuem ligação com a rede de esgoto, proporção que sobe para 67,8% nas unidades localizadas em áreas urbanas, mas cai drasticamente para 15% nas escolas do campo. No caso da rede municipal, a situação é mais grave: apenas 31% estão ligadas ao esgotamento sanitário, sendo que, na zona rural, o índice chega a apenas 4,8%.
Para especialistas, essa precariedade compromete não apenas a infraestrutura, mas também o processo de ensino. A professora Clarice Zientarski, da Universidade Federal do Ceará (UFC), avalia que a falta de saneamento impacta diretamente a saúde e a aprendizagem dos estudantes. “É muito ruim no que diz respeito às condições mínimas para se ter uma vida digna. Isso fragiliza o ensino, o trabalho dos professores e a vida das crianças e jovens que frequentam essas escolas”, afirma.
Avanços e desafios
Apesar das dificuldades, os indicadores mostram evolução. Em 2014, apenas 23,6% das escolas públicas do Ceará tinham acesso à rede de esgoto. Dez anos depois, esse índice passou para 34,9%. No mesmo período, a cobertura da coleta de lixo subiu de 67,5% para 86,3%.
Segundo Pedro Rodrigues, coordenador do Todos Pela Educação, a infraestrutura escolar precisa ser encarada como prioridade. “Esses itens são essenciais não só para o aprendizado, mas para a vida. É condição mínima para que as crianças vivam dignamente no tempo em que estão na escola”, destaca.
A Secretaria da Educação do Ceará (Seduc) afirma que mais de 60% das escolas estaduais já estão ligadas à rede pública de esgoto e que as demais contam com alternativas como fossas sépticas e sumidouros. Sobre a coleta de lixo, a pasta explica que a responsabilidade é dos municípios, mas reforça que as unidades da rede estadual seguem protocolos de armazenamento e descarte até a retirada do material.
