Mais da metade dos municípios cearenses tem gestão fiscal insatisfatória

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Um levantamento divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) revelou que 58% dos municípios do Ceará avaliados em 2024 apresentam gestão fiscal insatisfatória. O estudo faz parte do Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), que analisa como as prefeituras administram os recursos públicos e equilibram suas contas.

O índice, que varia de 0 a 1 ponto, classifica as cidades em quatro faixas de desempenho:

  • Crítico: abaixo de 0,4 ponto
  • Difícil: entre 0,4 e 0,6 ponto
  • Bom: entre 0,6 e 0,8 ponto
  • Excelente: acima de 0,8 ponto

Das 181 cidades cearenses incluídas na análise, 104 apresentaram índices críticos ou difíceis. O resultado coloca o estado abaixo da média nacional: o IFGF médio do Ceará foi de 0,5491 ponto, enquanto a média brasileira alcançou 0,6531 pontos — uma diferença de quase 16%.

Para compor o indicador, a Firjan avaliou quatro aspectos principais: autonomia financeira, gastos com pessoal, liquidez e capacidade de investimento. Os dados são obtidos a partir de informações fiscais oficiais enviadas pelas prefeituras à Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

Três municípios — Graça, Meruoca e Penaforte — ficaram fora do levantamento por inconsistências ou ausência de dados.

Apesar do panorama preocupante, 69 cidades (38%) obtiveram resultados considerados bons e oito (4%) alcançaram classificação excelente.

Capistrano lidera ranking negativo

Segundo o ranking estadual, Capistrano apresentou o pior desempenho do Ceará, com índice de 0,097, seguido de Tarrafas (0,1235) e Poranga (0,1363). Outros municípios com baixo desempenho incluem Iracema, Carnaubal, Potengi, Bela Cruz, Campos Sales, Barro e Palhano.

Dependência de repasses e baixa arrecadação explicam o cenário

Para o economista Rafael Barros Barbosa, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisador do FGV IBRE, os resultados refletem dificuldades estruturais comuns ao Nordeste.

“Muitos municípios têm baixa atividade econômica e alta informalidade. Isso limita a arrecadação e aumenta a dependência de repasses estaduais e federais”, explica o especialista.

Ele acrescenta que a falta de incentivo para ampliar a arrecadação própria contribui para o problema:

“Quando os recursos externos são garantidos, há menor pressão para que os gestores busquem novas fontes locais de receita.”

Como alternativas, o economista aponta medidas como a formalização de propriedades urbanas para ampliar a arrecadação de IPTU e a regularização de atividades econômicas para fortalecer a base tributária municipal.

“Mas é preciso reconhecer que o desafio é estrutural. O desenvolvimento fiscal sustentável depende de um avanço econômico de longo prazo”, ressalta.

Fortaleza aparece em 17º lugar entre as capitais

A capital cearense, Fortaleza, obteve nota 0,7532, considerada boa pelo índice. Apesar disso, ficou apenas na 17ª posição entre as capitais brasileiras com melhor gestão fiscal.

De acordo com Rafael Barbosa, o desempenho intermediário se deve aos altos gastos com pessoal e baixa liquidez do município.

“Fortaleza tem boa capacidade de arrecadação, mas poderia melhorar seu desempenho com maior controle de despesas. Reduzindo os gastos, seria possível reforçar o caixa e subir no ranking”, afirma.

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