O mês de dezembro marcou o início oficial da pré-estação chuvosa no Ceará, e as primeiras precipitações já foram registradas em Fortaleza. Embora leves e passageiras, as chuvas trouxeram sensação de alívio para quem enfrenta o forte calor dos últimos dias, mas reacenderam a preocupação de moradores que vivem em regiões suscetíveis a alagamentos.
Nas ruas da capital, muitos comemoraram o refresco. O ambulante Francisco Valderlânio descreveu a mudança como bem-vinda: “Dá uma amenizada boa. O sol é forte demais, então qualquer chuvinha já ajuda muito”, disse.
De acordo com a gerente de Meteorologia da Funceme, Meiry Sakamoto, a pré-estação — que abrange dezembro e janeiro — costuma registrar médias entre 130 e 136 milímetros, impulsionadas principalmente pelas chuvas mais intensas de janeiro. Para os próximos dias, os meteorologistas preveem aumento da nebulosidade e precipitações fracas, especialmente durante as madrugadas e manhãs. “Ainda não são volumes altos, mas já é um sinal da mudança do período”, explicou.
Segundo ela, o comportamento das chuvas nesta fase depende, sobretudo, da atuação de vórtices ciclônicos de altos níveis e da influência de frentes frias que alcançam a Bahia, fenômenos responsáveis por boa parte das precipitações dessa época.
Enquanto muita gente vê a chuva como sinônimo de alívio e esperança, moradores de áreas em risco permanecem apreensivos. Na comunidade do Poço da Draga, onde ruas ficaram alagadas no ano passado, a microempreendedora Ivoneide Goes teme a repetição do cenário. “Já sentimos o mormaço e aquela neblinazinha chegando. Se cair uma chuva forte, a água desce toda pra cá, porque não tem pra onde escoar”, relata.
