Programa de apoio às famílias vítima da seca leva assistência e tecnologia a comunidades rurais

A proposta é fortalecer a resiliência climática em regiões afetadas pela estiagem
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O combate aos efeitos da mudança climática no semiárido cearense ganhou um novo fôlego com o lançamento do projeto Sertão Vivo. Coordenado pela Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), a iniciativa prevê o investimento de R$ 251 milhões em 72 municípios do Estado, beneficiando 63 mil famílias em situação de vulnerabilidade socioambiental. A proposta é fortalecer a resiliência climática nas comunidades rurais, por meio de assistência técnica contínua e acesso a tecnologias voltadas à produção sustentável.

A ideia é simples e ambiciosa: garantir que famílias impactadas pela seca e pelas dificuldades agrícolas tenham suporte para continuar produzindo e vivendo no campo. Cada uma delas deverá receber R$ 4,6 mil para modernizar seus sistemas produtivos, com foco na agroecologia e no uso racional da água. Ao longo de dois anos, técnicos visitarão regularmente as propriedades para acompanhar a implantação de tecnologias sociais, como cisternas-calçadão, barreiros e barragens subterrâneas.

Rocicleide Silva, coordenadora do projeto, destaca que a seleção das famílias leva em consideração critérios de vulnerabilidade e diversidade, priorizando mulheres, indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Ela ressalta que o processo será feito com escuta ativa e participação comunitária, e não de forma impositiva. “É uma intervenção horizontal. O conhecimento do agricultor é essencial para construirmos soluções adaptadas à realidade local”, afirma.

O projeto foi apresentado oficialmente no dia 21 de maio e integra o Plano Plurianual (PPA) 2024-2027 do Estado. Ele alinha metas de redução da pobreza rural, ampliação do acesso à água, melhoria da qualidade de vida e preservação ambiental. Para o governador Elmano de Freitas, trata-se de uma mudança de paradigma: “Vamos conviver com a natureza, produzir com consciência ambiental e garantir dignidade ao nosso povo”, celebrou.

As ações do Sertão Vivo alcançarão oito regiões do Ceará, abrangendo desde municípios da Serra da Ibiapaba até o Litoral Norte, passando por áreas historicamente afetadas pela seca, como o Sertão dos Inhamuns e o Sertão de Canindé. A execução será feita em etapas. Até outubro de 2025, o governo fará o mapeamento das comunidades e a seleção das famílias, dando início ao diagnóstico técnico e social das propriedades. Em 2026, devem começar as intervenções nos territórios.

O projeto também é visto como uma resposta ao risco de desertificação no Estado. De acordo com o professor Flávio Nascimento, da Universidade Federal do Ceará (UFC), cerca de 90% do território cearense está em região semiárida e, por isso, vulnerável a processos de degradação severa. “Com as mudanças climáticas, temos um cenário de extremos: chuvas mais intensas e secas mais prolongadas. Se não houver cuidado com o solo e a vegetação, o semiárido pode se transformar em deserto ao longo do tempo”, alerta.

A aposta, portanto, é em uma transição rural baseada na agroecologia, no uso sustentável da caatinga e na valorização dos saberes locais. A expectativa do governo estadual é de que o Sertão Vivo sirva como modelo para futuras políticas públicas em regiões áridas de todo o país. Com uma combinação de ciência, tradição e diálogo, o Ceará tenta construir um caminho viável para enfrentar os desafios da crise climática sem abandonar quem vive da terra.

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