A suspensão de 25 linhas de ônibus em Fortaleza, iniciada nesta segunda-feira (29), é consequência direta do maior déficit financeiro já registrado no sistema de transporte coletivo da Capital. A informação foi dada pelo presidente do Sindiônibus, Dimas Barreira, em entrevista à Verdinha FM. Segundo ele, faltam R$ 7 milhões mensais para a conta do transporte fechar todo mês.
De acordo com o presidente, a Prefeitura de Fortaleza repassa atualmente cerca de R$ 16 milhões por mês — valor que chegou a esse patamar com um reforço extra de R$ 2,5 milhões nos últimos dois meses. Ainda assim, o saldo é negativo.
“A conta completa, se for somar os estudantes [gratuidade], seria quase R$ 23 milhões. Então, assim, por mais que eu sei que haja um esforço, vem acumulando [o déficit]. Este ano a gente vai fechar com o maior déficit da história seguindo nessa tendência, né? A gente já tem aqui, até este mês, um déficit maior do que o nosso maior déficit da história, que foi 2023”, frisou Dimas.
Barreira explicou que a principal razão para a crise está na defasagem entre a tarifa pública, de R$ 4,50, e a chamada tarifa técnica, que seria o valor necessário para cobrir todos os custos da operação.
A Prefeitura faz uma análise para saber qual a tarifa pública que ela vai definir, que nesse caso ficou ainda de novo em R$ 4,50 e deveria complementar a diferença desse custo com o subsídio. Só que não tem tido capacidade, não tem tido recursos suficientes para conseguir colocar esse subsídio completoDimas Barreira
Presidente do Sindiônibus
Déficit acumulado e risco de colapso
Barreira lembrou que a crise tem afetado a própria sobrevivência das empresas operadoras. “Das companhias que ganharam a licitação, cinco já quebraram. Outras estão em recuperação judicial. Cada ano a frota fica mais velha porque não há condições de renovação em velocidade adequada. Temos compromissos com folha de pagamento e combustível que não podem esperar”, frisou.
“É importante que isso fique claro: não é falta de diálogo. É, realmente, dificuldade. Isso já vem há bastante tempo. E a gente tem feito o máximo possível para manter a máxima capilaridade do sistema, mas há uma dificuldade muito grande”, afirmou Dimas.
A reportagem entrou em contato com a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) para falar sobre o assunto e aguarda posicionamento.
Fonte: Diário do Nordeste.
