Sobral lidera produção de calçados no Brasil em 2024 e impulsiona setor no Ceará

Cidade da Região Norte corresponde a 16,5% de tudo o que fabricado dos produtos no País
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Sobral, no Norte do Ceará, consolidou sua posição como maior polo calçadista do Brasil em 2024, com a impressionante marca de 153,7 milhões de pares produzidos. O município responde por 16,5% de toda a produção nacional e por 68% da produção cearense, segundo o Relatório da Indústria de Calçados de 2024, divulgado nesta terça-feira (20) pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

O destaque de Sobral se deve, em grande parte, à presença da Grendene — uma das maiores fabricantes do setor no país — cuja sede fica no município. A empresa, dona de marcas como Grendha e Melissa, é peça-chave na dinâmica industrial da região, que emprega 16,4 mil trabalhadores diretamente no setor calçadista.

Segundo a Abicalçados, o polo de Sobral representa 75% dos empregos industriais da região e é considerado “uma das regiões de maior desenvolvimento socioeconômico ao longo das últimas décadas”.

Embora o levantamento inclua cidades vizinhas como Massapê e Santana do Acaraú, o Sindicato Calçadista de Sobral destaca que o núcleo produtivo está concentrado exclusivamente na cidade de Sobral.

Ceará segue como maior produtor de calçados do País
O Ceará manteve sua posição como o maior estado produtor de calçados do Brasil em 2024, com 226 milhões de pares fabricados, o que representa 24,3% da produção nacional — praticamente um a cada quatro pares produzidos no país. A indústria calçadista cearense emprega 69,1 mil pessoas diretamente, distribuídas entre 224 empresas.

Além de Sobral, o Estado conta com outros três polos importantes: Fortaleza, Juazeiro do Norte e Quixadá, que juntos respondem por 99,3% da produção estadual. Esses polos estão distribuídos de forma estratégica, cobrindo desde a Região Metropolitana da capital até o Sul do Estado e o Sertão Central.

Em Fortaleza, a produção chegou a 30 milhões de pares, equivalente a 13,3% da produção estadual, com destaque para o setor de micro e pequenas empresas, que respondem por 75% das fábricas do polo. O número de empregos diretos cresceu 4,2% em relação a 2023, alcançando 26,3 mil trabalhadores.

Já em Quixadá — onde estão grandes indústrias como Aniger (Petite Jolie) e Sugar Shoes (Colcci) — foram 22,1 milhões de pares produzidos em 2024, cerca de 10% da produção cearense. No entanto, o polo registrou queda de mais de 35% nas exportações, totalizando US$ 30,2 milhões. A maior parte da produção é voltada ao mercado interno.

Juazeiro do Norte, por sua vez, concentrou 8,2% da produção estadual, com 18,6 milhões de pares e 9,3 mil empregos diretos. Mesmo com estabilidade no número de empresas (120), o polo enfrentou a maior queda nas exportações do Ceará, de 71,2% em relação ao ano anterior — impacto direto da retração nas compras pela Argentina, principal destino da produção local.

Exportações em queda e disputa com o Sul
Apesar de liderar em volume de produção, o Ceará perdeu o posto de maior exportador de calçados do Brasil para o Rio Grande do Sul. Em 2024, o estado exportou 30,2 milhões de pares, equivalentes a 31% do total nacional, enquanto os gaúchos comercializaram 32,3 milhões de pares, ou 33,1%.

Essa queda nas exportações impactou diretamente o faturamento: após três anos, o Ceará voltou a exportar menos de US$ 200 milhões, o que representa uma retração de quase 25%.

Segundo o relatório, os calçados cearenses são vendidos ao exterior por preços médios mais baixos do que os de estados como Rio Grande do Sul (US$ 15,04) e Minas Gerais (US$ 12,91). O valor médio dos pares cearenses ficou em US$ 6,60, refletindo o foco na produção de calçados sintéticos de menor valor agregado.

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