Suspensão de linhas de ônibus em Fortaleza pega passageiros de surpresa e gera caos nos terminais

Decisão unilateral do Sindiônibus afeta milhares de usuários; Prefeitura afirma não ter autorizado cortes
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Na manhã desta segunda-feira (29), passageiros do transporte coletivo de Fortaleza enfrentaram longas esperas, terminais superlotados e dificuldades para chegar ao trabalho ou à escola. O motivo: a suspensão repentina de 25 linhas de ônibus e a redução de frota em outras dezenas, anunciadas pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), sem aviso prévio à Prefeitura de Fortaleza.

A medida gerou confusão e indignação entre os usuários do sistema. Nos terminais, o clima foi de frustração diante da ausência de veículos e da incerteza sobre os trajetos disponíveis. “Esperei mais de 40 minutos e meu ônibus simplesmente não apareceu. Só depois soube que a linha tinha sido cancelada”, contou a atendente de telemarketing Karla Lima, na Parangaba.

A Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) se manifestou, classificando a suspensão como uma “decisão unilateral” do Sindiônibus e afirmando que nenhuma das mudanças foi autorizada oficialmente. “Lamentamos profundamente a atitude das empresas. Nenhuma alteração estava prevista no sistema de programação”, informou o órgão, em nota.

Segundo a Etufor, o sistema de transporte recebe mensalmente cerca de R$ 16 milhões em subsídios da Prefeitura — valor equivalente a R$ 500 mil por dia — para garantir a operação das linhas e evitar prejuízos às empresas. A gestão municipal reforçou que mantém diálogo constante com o setor, mas condenou o corte abrupto de serviços essenciais.

Já o Sindiônibus justificou as mudanças com base em um “cenário de desequilíbrio financeiro” vivido pelas empresas, e afirmou que os ajustes foram fundamentados em estudos técnicos. Linhas com baixa demanda, segundo o sindicato, foram suprimidas, enquanto rotas mais utilizadas tiveram reforço de frota.

Ao todo, 25 linhas deixaram de circular e outras 29 tiveram redução no número de ônibus. Por outro lado, sete linhas receberam acréscimo de 20 veículos, em tentativa de compensar o impacto.

Apesar da readequação anunciada, o resultado imediato foi um sistema desorganizado e insuficiente para atender à demanda da capital cearense. “Nosso maior problema hoje é a superlotação e o tempo de espera, que triplicou em alguns casos”, disse Antônio Sales, motorista de aplicativo que relatou aumento de corridas no início da manhã.

A crise atual é agravada por episódios recentes. Em agosto, o encerramento das atividades da empresa Santa Cecília, que atuava há quase 80 anos em Fortaleza, deixou um vácuo significativo na operação do transporte coletivo. A empresa era responsável por mais de 30 linhas e, com sua saída, passageiros já vinham enfrentando atrasos e sobrecarga em outras rotas.

Para a consultora de vendas Maria das Dores, moradora do bairro Autran Nunes, o transporte público na capital se tornou imprevisível. “Mudei de ponto porque onde moro quase não passa mais ônibus. Agora tenho que andar até a Mister Hull, onde ao menos sei que posso ter mais opções. Mas mesmo assim, demoram muito.”

Diante do cenário, a Prefeitura afirma que seguirá pressionando o Sindiônibus para garantir o restabelecimento das linhas afetadas e evitar prejuízos maiores à população. Enquanto isso, usuários seguem enfrentando uma rotina de incertezas, filas e ônibus lotados — um retrato de um sistema de transporte que parece cada vez mais distante das necessidades da cidade.

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