O Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) foi criado pela Lei 11.346, de 2006, e abrange programas essenciais, como o de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) – que prevê repasse de verbas e apoio de profissionais qualificados às escolas. Pode parecer contraditório cobrar recursos nutricionais de instituições voltadas a entregar conhecimentos, mas a relação entre os fatores é direta e profunda.
Um estudo da Escola de Saúde Pública da Wollo University, da Etiópia, aponta que crianças que reduziram em 15% seu peso corporal em decorrência da fome tiveram uma queda de 68% no desempenho acadêmico. A explicação não está na falta de empenho dessas crianças, mas na debilidade física que a fome provoca.
Conforme outra avaliação, da Universidade de Edimburgo (Escócia), a perda de 15% de massa corporal em função de desnutrição reduz em 29% a presença da principal molécula transportadora de energia para as sinapses dos neurônios do córtex visual, que processam com mais dificuldade aquilo que veem. Ou seja, a visão do mundo é, literalmente, mais restrita por causa da fome que os indivíduos sentem.
Chega a ser imprópria, já que não cabe mais, qualquer discussão neste sentido, pois a alimentação escolar deve ser mais sagrada, farta e orientada, de forma que os estudantes se mantenham saciados e nutridos. Garantir alimentação de qualidade nas escolas não é um luxo, mas um poderoso recurso para o aprendizado. Que fique claro que a fome na barriga prejudica a fome do saber.
