A invenção e o uso da tornozeleira eletrônica é, antes de ridículo, uma postura que denuncia a incompetência das instituições jurídicas, que compara pessoas a bichos peinados, ou amarrados, confinados para a engorda até o dia de morrerem. Quem já viu um jumento pulando, um bode com uma corda no pescoço, ou mesmo uma galinha presa à perna de uma mesa, pode imaginar o que é usar uma tornozeleira.
Tal castigo, dado a pessoas que, sequer foram condenadas, demonstra um excesso de autoritarismo e o fracasso dos que se dizem defensores dos “direitos humanos”, mas que não se importam com as barbaridades praticadas contra humanos. Aliás, essa classe não deixa de ser uma balela sem graça, que serve apenas para sugar dinheiro público.
O teatro político do Brasil está se expandindo e dando a entender que é possível viver em um mundo de fantasia, em que tudo é faz de conta e recebe o nome de lei. Falando em lei, cadê os juristas deste país, outrora valiosos em seus manifestos, e que agora emudecem. E o que dizer dos poderes executivo e legislativo, que se deixaram dominar por medo e submissão; da OAB, que se comporta como militante; dos fardados, antes heroicos e ora enfraquecidos?
Diante de todo esse descompasso, há que se reconhecer que, apesar de todos os desafios, ainda existe pujança no povo brasileiro, que nunca perde a coragem de lutar, mesmo com peias, cabrestos, correntes ou tornozeleiras. A tirania nunca será maior do que a vontade que as pessoas têm de encarar de frente os percalços e dar novos gritos de liberdade.
