Pelo menos 40 instituições estão sendo investigadas por suspeita de recolher recursos dos beneficiários de forma irregular. Trata-se de um esquema particularmente cruel, pois desvia dinheiro de pessoas como aposentados, pensionistas ou afastados do trabalho no momento em que mais precisam dele, por motivos alheios à sua vontade.
Mais de 6 milhões de brasileiros relataram ter sofrido descontos irregulares ou que sequer haviam autorizado, e 4,8 milhões contestaram as operações para serem ressarcidos pela União. A estimativa é que o golpe tenha desviado mais de R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024.
Os envolvidos são acusados de crimes como organização criminosa, corrupção, inserção de dados falsos em sistema oficial, estelionato previdenciário, ocultação e dilapidação patrimonial.
O INSS paga mais de 40 milhões de benefícios, sendo que 70% deles em valores de até um salário mínimo. Esse grupo majoritariamente de baixa renda, para assegurar o exercício de seu direito, enfrenta uma espera de meses: a famigerada “fila do INSS”. Para se ter ideia, somente em setembro, ela somava 2,78 milhões de brasileiros aguardando a liberação do necessário benefício.
Ressarcir o prejuízo causado por esse golpe e levar os responsáveis aos tribunais é uma dívida do governo federal. E, além disso, é preciso resolver as falhas de controle que permitiram os desvios, eliminar as relações espúrias no órgão e promover um serviço eficiente e rápido aos milhões de usuários. Só assim será feita justiça.
