A ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas marcou um novo e perigoso capítulo na já instável relação entre Irã e Israel. Sob o pretexto de eliminar ameaças iminentes e conter avanços nucleares suspeitos do regime iraniano, os bombardeios coordenados em Natanz, Fordow e Isfahan na última semana tiveram um efeito previsível e inquietante que elevaram a temperatura geopolítica da região a níveis que não eram vistos desde a Guerra do Golfo.
A participação direta dos Estados Unidos em consonância com os interesses estratégicos de Israel, desfez qualquer dúvida que ainda pairasse sobre a internacionalização do conflito. De um embate regional entre rivais históricos, a guerra caminha rapidamente para se tornar uma crise de alcance global, com implicações políticas e econômicas que já começam a ser sentidas além do Oriente Médio.
O Irã, por sua vez, reagiu com firmeza e previsibilidade. A resposta militar, ainda que controlada, atingiu alvos americanos no Golfo Pérsico e provocou uma escalada retórica acompanhada da ameaça de fechar o Estreito de Ormuz. Essa pequena faixa marítima entre Omã e o Irã, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, é uma artéria vital para a economia global.
O simples risco de interrupção já foi suficiente para disparar os preços do petróleo nos mercados internacionais. O barril do Brent ultrapassou os 78 dólares, impulsionado mais pelo medo do que por rupturas efetivas no fornecimento. E se o bloqueio prometido se concretizar, analistas apontam para um salto abrupto nos preços, possivelmente acima dos 100 dólares, com consequências diretas na inflação, no custo de vida e na recuperação econômica de países em desenvolvimento e desenvolvidos.
A incerteza provocada por esse novo estágio do conflito afeta não apenas a economia, mas também o tecido político e diplomático das grandes potências. Rússia e China, tradicionais aliados do Irã em diferentes contextos, pressionam por contenção e diálogo, enquanto os Estados Unidos reiteram seu compromisso com a segurança de Israel e com a dissuasão nuclear na região.
