O velho hábito brasileiro de deixar tudo para a última hora

O problema é que esse comportamento coletivo tem consequências
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Mais um prazo do Imposto de Renda se aproxima do fim, e mais uma vez o velho roteiro se repete: milhões de brasileiros deixam para prestar contas ao Leão na última hora, enfrentando lentidão nos sistemas, riscos de erros e a possibilidade de cair na malha fina. Não é falta de aviso, tampouco de acesso à informação. O que se vê é um padrão de comportamento cultural que insiste em postergar compromissos até o limite do possível — mesmo os mais importantes.

A Receita Federal não economiza em campanhas educativas, o calendário é amplamente divulgado, e os próprios contribuintes, ano após ano, enfrentam os mesmos transtornos. Ainda assim, o número de declarações entregues nos últimos dias do prazo continua elevado, como se o prazo final fosse, na prática, o único momento aceitável para agir. A questão ultrapassa a organização individual e revela uma faceta do comportamento social brasileiro: a procrastinação como prática normalizada.

É claro que há exceções. Nem todos têm tempo, conhecimento técnico ou recursos para lidar com o emaranhado burocrático do imposto de renda logo nos primeiros dias de liberação do sistema. Mas muitos dos que adiam a entrega o fazem por hábito, por costume, quase como um ato reflexo. O problema é que esse comportamento coletivo tem consequências. O congestionamento dos canais da Receita, a sobrecarga dos contadores e a pressa de última hora são apenas os efeitos mais visíveis.

Adiar decisões importantes compromete a qualidade da entrega e aumenta o risco de omissões ou equívocos. Quem entrega antes, inclusive, tem mais chances de receber a restituição mais cedo. Ainda assim, a preferência por viver no limite do prazo persiste, mesmo com todos os incentivos à organização.

O Brasil precisa, aos poucos, desconstruir esse costume. Planejar, antecipar-se, agir com responsabilidade e previsibilidade são atitudes que favorecem o cidadão e fortalecem a cidadania. Cumprir o dever fiscal é mais do que uma obrigação legal — é um gesto de comprometimento com o país. E isso não deveria ser deixado para o último minuto.

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