A violência doméstica no Brasil tem preocupado autoridades e causado indignação à população que espera uma ação mais eficaz dos órgãos públicos. De acordo com o Atlas da Violência 2025 o número de homicídios femininos no Brasil cresceu 2,5% entre 2022 e 2023.
O Ceará, apesar de ter apresentado uma redução de 11% nesse tipo de crime, os índices ainda preocupam. Sobral, inserido nesse cenário, na madrugada desta segunda-feira (2), foi notícia nas páginas policiais, quando durante a madrugada, uma mulher identificada como Thamiris Araújo foi morta dentro de sua própria casa no bairro Padre Palhano. A principal linha de investigação aponta para o companheiro da vítima como autor do crime.
Thamiris agora entra para uma estatística cruel que destrói famílias. Mulheres que são assassinadas não por estarem em uma situação de risco aleatória, mas por uma razão clara e devastadora: serem mulheres. Muitas vezes, os agressores são aqueles que um dia disseram amar — maridos, companheiros, ex-parceiros. A casa, que deveria ser um espaço de refúgio, torna-se o lugar do horror.
Não há como normalizar o inaceitável. Cada caso como o de Thamiris é uma prova da urgência de políticas públicas eficazes de prevenção, acolhimento e punição. É inadmissível que, em pleno 2025, tantas mulheres ainda estejam morrendo pelas mãos de quem deveria protegê-las.
Feminicídio não é crime passional — é crime de ódio, de poder, de controle. E precisa ser tratado com o rigor que merece, inclusive pela Justiça e pelas instituições de segurança. Além disso, é papel da sociedade como um todo não silenciar. Vizinhos, amigos, familiares: é preciso estar atento, denunciar, apoiar. A omissão também mata.
Thamiris tinha nome, tinha história, tinha direito à vida. Que seu assassinato não seja apenas mais uma manchete efêmera. Que seja um grito por justiça. Por todas que vieram antes. Por todas que ainda podem ser salvas.
Porque nenhuma mulher deve morrer por ser mulher. E nenhuma sociedade pode se considerar justa enquanto isso ainda acontece.
