Ceará lidera alfabetização em 2025 após transformação iniciada por Sobral

A taxa supera a média nacional, que é de 59,2%, e já ultrapassa a meta estabelecida para 2030, de 80%.
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O Ceará é o estado brasileiro com a maior proporção de crianças alfabetizadas na idade certa. Em 2025, 85,3% dos alunos do 2º ano do ensino fundamental sabem ler e escrever de forma autônoma, segundo o Indicador Criança Alfabetizada (ICA) do Ministério da Educação. A taxa supera a média nacional, que é de 59,2%, e já ultrapassa a meta estabelecida para 2030, de 80%.

O sucesso das escolas cearenses inspirou a política de alfabetização em regime de colaboração adotada em 25 estados. Embora a responsabilidade pelo ensino fundamental seja municipal, os governos estaduais oferecem apoio técnico e financeiro às prefeituras para melhorar os resultados. “No Ceará, a secretaria estadual e os municípios aprenderam a alfabetizar. O Brasil ainda está em um estágio anterior”, avalia Ivan Gontijo, gerente de políticas educacionais da organização Todos Pela Educação.

Em 2004, 55% das crianças cearenses apresentavam desempenho ruim em leitura e escrita, segundo o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

A experiência de Sobral se espalhou pelo estado e motivou a criação do Programa de Alfabetização na Idade Certa (PAIC) pelo governo estadual. A partir de 2015, outros estados, como Pernambuco, Espírito Santo e Piauí, passaram a replicar a estratégia.

O pilar do programa é a cooperação entre estado e municípios, com avaliações periódicas para monitorar a aprendizagem e distribuição centralizada de materiais didáticos. Outra iniciativa é o ICMS Educacional, que vincula parte do imposto estadual a resultados de aprendizagem, incentivando prefeitos a melhorar a educação local.

A capacitação contínua de professores é outro destaque. Deusiran Nascimento, diretora da escola Joaquim José Monteiro, no município de Cruz, afirma que os docentes recebem formação bimestral e aplicam projetos de leitura desde o primeiro ano. A avaliação mensal permite identificar dificuldades e personalizar atividades de acordo com o nível de cada aluno. A participação das famílias também é estimulada, com acompanhamento direto por WhatsApp e visitas domiciliares.

O resultado é visível: muitos alunos já alcançam a alfabetização plena antes do fim do ano letivo. A escola de Cruz registrou alunos vindos de outras regiões que não sabiam o alfabeto, mas conseguiram ler e escrever ao final do período. Em reconhecimento, o governo federal premiou o Ceará com o Prêmio MEC da Educação Brasileira, com R$ 500 mil destinados à infraestrutura escolar.

Apesar dos avanços, ainda existem limitações. A política estadual foca em crianças matriculadas, deixando de fora analfabetos e adultos com alfabetização funcional limitada. Dados do Censo 2022 do IBGE indicam que 93% da população brasileira com 15 anos ou mais é alfabetizada, mas 29% são considerados analfabetos funcionais, incapazes de interpretar textos ou cálculos mais complexos.

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