Uma pesquisa inédita, divulgada nesta terça-feira (9), reuniu a percepção de mais de 2,3 milhões de estudantes de 21 mil escolas públicas em todo o país para subsidiar a criação da primeira política nacional voltada aos anos finais do ensino fundamental — etapa que compreende do 6º ao 9º ano.
O levantamento mostra que, embora a maioria dos alunos afirme se sentir acolhida pela escola, menos de 40% dizem respeitar e valorizar seus professores. A análise também revela diferenças entre os mais jovens (6º e 7º anos) e os mais velhos (8º e 9º anos): os primeiros demonstram visão mais positiva sobre acolhimento e socialização, enquanto os últimos relatam maior distanciamento e insatisfação.
A iniciativa é fruto de parceria entre o Ministério da Educação (MEC), o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e o Itaú Social. A coleta de dados ocorreu durante a Semana da Escuta das Adolescências nas Escolas, que mobilizou quase metade das instituições que oferecem essa etapa de ensino no Brasil.
Durante o lançamento do relatório, em Brasília, a secretária de Educação Básica do MEC, Katia Schweickardt, destacou a necessidade de reconhecer a diversidade de perfis nas salas de aula:
— Todos aprendem de formas diferentes. Nosso desafio é preparar professores, escolas e comunidades para lidar com essas especificidades — afirmou.
A pesquisa também revelou que em contextos de maior vulnerabilidade social, os estudantes tendem a perceber a escola como espaço de acolhimento em maior proporção que os de menor vulnerabilidade. Por outro lado, o estudo chama atenção para o frágil vínculo entre alunos e professores, fator considerado determinante para a permanência escolar.
Para a superintendente do Itaú Social, Patrícia Mota Guedes, o levantamento representa um marco:
— Pela primeira vez o país ouve em larga escala o que pensam os adolescentes. Esse é um passo fundamental para que os anos finais do ensino fundamental não sejam mais uma etapa esquecida — ressaltou.
Além da convivência, os estudantes também foram questionados sobre quais conteúdos consideram mais relevantes. Entre os mais novos, disciplinas tradicionais apareceram como prioridade, seguidas por temas ligados ao corpo, saúde mental e esportes. Já os mais velhos valorizaram também as chamadas “habilidades para o futuro”, como educação financeira e tecnologia.
