Reajuste das mensalidades escolares para 2026 deve ultrapassar a inflação e pressiona orçamento das famílias no Nordeste

Com previsão média de aumento de 8,5% nas escolas particulares do Nordeste, pais já começam a se organizar para lidar com mais um peso no bolso no início do próximo ano letivo.
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Faltando ainda três meses para o fim de 2025, muitas famílias já iniciam o planejamento para os custos com educação no ano seguinte — e o cenário exige atenção. Um levantamento do Grupo Rabbit aponta que as mensalidades das escolas particulares devem subir, em média, 8,5% no Nordeste, índice quase o dobro da inflação projetada para o ano, que deve fechar em 4,8%, segundo o Boletim Focus, do Banco Central.

A tendência de alta se repete em todo o país, com destaque para o Sudeste, que deve registrar os maiores reajustes, com média de 9,7%. Minas Gerais lidera a previsão nacional, com um aumento estimado de 10% nas mensalidades.

Os reajustes, segundo o Rabbit, costumam considerar três pilares principais: a inflação acumulada, o reajuste salarial dos professores e os investimentos feitos pelas instituições de ensino.

Reajustes por região (média):

Nordeste – 8,5%

Norte – 8,6%

Centro-Oeste – 9%

Sudeste – 9,7%

Sul – 6,5%
Fonte: Grupo Rabbit

No Ceará, reajuste deve manter alta

No estado, o último aumento médio registrado foi de 9%. Procurado pela reportagem, o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Ceará (Sinepe-CE) afirmou, em nota, que não define os percentuais adotados pelas escolas, já que cada instituição tem autonomia para estabelecer seus próprios valores, de acordo com sua gestão e custos operacionais.

Apesar disso, o sindicato destacou que os reajustes devem seguir os critérios previstos pela Lei Nº 9.870/1999, que permite o repasse de custos que garantam a manutenção da qualidade do ensino. “Nosso compromisso é garantir que os ajustes sejam feitos de forma justa e transparente”, afirmou a vice-presidente Andrea Nogueira Sales.

Custo da mensalidade não deve ultrapassar 25% da renda

Para o economista Wandemberg Almeida, presidente do Corecon-CE, o valor da mensalidade não deve comprometer mais do que 25% da renda líquida familiar. “Acima disso, há risco de afetar despesas básicas como moradia, saúde e alimentação”, alerta.

Diante da alta, o especialista recomenda que as famílias comecem a se preparar desde já. Criar uma reserva anual para cobrir matrícula, materiais e o reajuste ajuda a diluir o impacto nos primeiros meses do ano — período também marcado pelo pagamento de impostos como IPTU e IPVA.

Almeida também reforça a importância da negociação. “Escolas costumam oferecer descontos para pagamentos antecipados ou para quem tem mais de um filho matriculado. Vale a pena buscar condições melhores”, diz.

Pesquisa de preços e planejamento são aliados

O presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin), Reinaldo Domingos, destaca a pesquisa de mercado como ferramenta fundamental para barganhar melhores condições. “Ter dados sobre valores cobrados por outras escolas fortalece a argumentação das famílias durante a negociação.”

Ele também recomenda que decisões sejam tomadas de forma racional. “É importante ouvir os filhos, mas a escolha final deve considerar a sustentabilidade financeira do lar. Educação é investimento — mas precisa ser viável”, conclui.

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