O Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos (USOPC) atualizou silenciosamente sua política interna para proibir a participação de mulheres transgêneros em competições femininas. A medida foi oficializada na segunda-feira, 21 de julho, com a publicação de um trecho adicional à chamada “Política de Segurança do Atleta”, documento que não menciona diretamente pessoas trans, mas que passa a incorporar a ordem executiva 14201, assinada em fevereiro pelo presidente Donald Trump.
A ordem, intitulada “Proibida a Entrada de Homens em Esportes Femininos”, ameaça cortar o financiamento público de qualquer organização esportiva que permita a participação de atletas trans em equipes femininas. A decisão cumpre uma das promessas de campanha de Trump, que tem insistido em associar mulheres trans a “homens nos esportes femininos”, em uma retórica que ignora o reconhecimento legal e médico da identidade de gênero dessas atletas.
Segundo comunicado assinado pela diretora-executiva do USOPC, Sarah Hirshland, e pelo presidente Gene Sykes, a organização está apenas cumprindo a determinação federal. “Temos a obrigação de atender às expectativas do governo. A nova política reforça o compromisso com ambientes de competição justos e seguros para as mulheres”, afirma a carta.
A mudança já está sendo repassada às federações esportivas sob supervisão do USOPC, que somam quase 50 entidades nacionais em modalidades que vão da base ao alto rendimento. Natação, atletismo e esgrima estão entre as primeiras a receber a nova diretriz. A expectativa é que clubes e organizações filiadas também sejam obrigadas a revisar seus regulamentos, sob risco de perderem vínculo com as federações.
A primeira entidade a seguir oficialmente a ordem foi a National Collegiate Athletic Association (NCAA), que regula o esporte universitário nos EUA. A adesão ocorreu logo após a assinatura do decreto presidencial, ampliando o alcance da política para todos os níveis de competição esportiva no país.
A decisão gera forte repercussão em um momento em que a cidade de Los Angeles se prepara para receber os Jogos Olímpicos de 2028. Grupos de defesa dos direitos LGBTQIA+ expressaram preocupação com o impacto da medida sobre a inclusão e a dignidade de atletas trans, especialmente diante da crescente onda de legislações restritivas nos estados norte-americanos.
Enquanto o USOPC afirma estar apenas obedecendo às diretrizes federais, críticos apontam que a medida institucionaliza a exclusão de atletas trans em nome de uma suposta proteção às mulheres, sem considerar evidências científicas amplamente debatidas sobre o tema. A proibição promete acirrar ainda mais o debate sobre identidade de gênero e equidade no esporte mundial.
