Apresentado oficialmente nesta terça-feira (3), Papellin retorna ao clube onde já conquistou 13 títulos, trazendo um discurso firme, sem rodeios, e com disposição para provocar as mudanças necessárias. Com passagens anteriores marcadas por conquistas e um relacionamento sólido com o elenco, ele agora encara o desafio de reconstruir a confiança dentro e fora de campo.
Seu recado foi claro: o ambiente precisa ser saudável e combativo. Jogador insatisfeito ou apático, segundo ele, deve buscar outro espaço. A crítica foi direcionada, ainda que sem citar nomes além de Pol Fernández, cuja permanência no elenco foi colocada em dúvida. “Não queremos laranja podre no grupo”, disparou, deixando evidente que a recuperação do time passará também por uma triagem interna rigorosa.
Apesar do momento delicado, Papellin evita falar em “lista de dispensa”, alegando que isso apenas desvaloriza os atletas. A saída de jogadores, segundo ele, será tratada com inteligência de mercado. Reforços também estão nos planos — peças que ajudem a reverter a atual queda de rendimento do Fortaleza, eliminado precocemente da Copa do Brasil e longe do desempenho esperado nas demais competições.
A confiança no técnico Vojvoda foi reafirmada, embora o dirigente reconheça a necessidade de reinvenção. Para ele, o treinador precisa recuperar o espírito que fez do Fortaleza um time temido em casa e respeitado fora dela. “O Fortaleza precisa voltar a ser protagonista”, pontuou, lembrando que a perda de identidade ofensiva é um dos principais sintomas da crise atual.
Em uma temporada ainda em curso, com o clube vivo na Série A do Brasileiro, na Copa do Nordeste e na Libertadores, Papellin sabe que o tempo é curto, mas não perdeu o ímpeto. Seu retorno ao Fortaleza, afirma, é passional. “Pelo Fortaleza eu faço qualquer loucura”, resumiu, numa frase que sintetiza tanto a urgência do momento quanto a disposição de quem quer devolver ao torcedor o orgulho de torcer por um time que, até pouco tempo, era exemplo de superação no cenário nacional.
O futuro do Fortaleza passa agora por uma reconstrução que não é apenas tática ou técnica — é simbólica. Tal como o Juncão em Sobral, é preciso resgatar a alma esportiva que parece ter se perdido pelo caminho.
