Brics reforça críticas ao unilateralismo e propõe nova ordem econômica global

A medida é vista como uma resposta direta às pressões dos EUA
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Durante o 11º Fórum Parlamentar do Brics, realizado em Brasília nesta terça-feira (3), parlamentares de diversos países do bloco e nações parceiras fizeram duras críticas a medidas protecionistas e unilaterais adotadas no cenário global, em especial aquelas relacionadas à guerra comercial impulsionada pelos Estados Unidos. Sem mencionar diretamente o presidente Donald Trump, os representantes denunciaram o impacto de tarifas impostas por decisões isoladas e defenderam uma maior cooperação econômica multilateral.

A reunião, liderada pelo senador Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado brasileiro, marcou o início da presidência brasileira no bloco em 2025. O parlamentar destacou a urgência em fortalecer o comércio entre os países do Brics e condenou o uso de tarifas como instrumento de pressão econômica, prática que classificou como injustificada e incompatível com as normas da Organização Mundial do Comércio.

O vice-presidente do parlamento chinês, Wang Ke, alertou para a volta da mentalidade da Guerra Fria e o uso da intimidação econômica por “alguns países” que colocam seus próprios interesses acima da coletividade internacional. Para ele, o Brics deve manter-se unido diante do que classificou como violações ao comércio global.

A crítica à hegemonia ocidental também marcou os discursos de países como África do Sul, Bolívia, Cuba e Nigéria. Representantes desses países defenderam reformas nas instituições multilaterais como a ONU, o FMI e a OMC, e ressaltaram o papel do Novo Banco de Desenvolvimento, presidido pela ex-presidenta Dilma Rousseff, como pilar para investimentos em infraestrutura e tecnologia no Sul Global.

Entre as propostas centrais debatidas no fórum, o uso de moedas locais nas transações comerciais entre os membros do bloco foi amplamente defendido como alternativa ao dólar. A medida é vista como uma resposta direta às pressões dos EUA, que ameaçam retaliações econômicas a países que busquem reduzir a dependência da moeda americana.

A expansão do Brics também ganhou destaque. O bloco, originalmente composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, passou a contar com membros permanentes como Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e, mais recentemente, a Indonésia. Em 2025, nove países ingressaram como membros parceiros, incluindo Bolívia, Cuba e Nigéria, reforçando o papel do grupo como uma força emergente na redefinição da ordem econômica global.

A América Latina teve presença ativa no evento. O parlamentar boliviano Felix Ajpi Ajpi destacou as reservas de lítio como oportunidade para atrair investimentos estratégicos e agradeceu o apoio brasileiro na inclusão de novos parceiros. Já o representante cubano, Alberto Nuñez Betancourt, defendeu que o Brics desafia a hegemonia econômica ocidental ao financiar projetos com critérios mais flexíveis do que os praticados por instituições como o FMI.

O fórum reforçou o compromisso do Brics com o multilateralismo, com foco em um modelo de desenvolvimento mais inclusivo e menos vulnerável às pressões de grandes potências. Em meio à expansão do bloco e a um cenário internacional marcado por tensões comerciais, os países-membros reafirmaram a importância de soluções coletivas para os desafios da economia global.

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