O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Gerardo Werthein, apresentou nesta terça-feira (22) sua renúncia ao presidente Javier Milei, confirmando rumores que circulavam há dias sobre sua saída do governo.
O anúncio ocorreu horas depois de Milei declarar que promoverá uma ampla reorganização ministerial após as eleições legislativas nacionais, marcadas para o próximo domingo (26).
A demissão de Werthein vem em meio a crescentes tensões internas e críticas de setores do próprio governo. O chanceler foi apontado como o responsável pela polêmica declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que condicionou o apoio econômico norte-americano à Argentina ao desempenho de Milei nas urnas. A fala foi feita durante o encontro entre os dois líderes na Casa Branca, há pouco mais de uma semana.
Segundo o jornal Clarín, o nome mais cotado para substituir Werthein é o atual Secretário de Culto, Nahuel Sotelo, que atua como elo entre o Executivo argentino e as instituições religiosas.
A saída do chanceler ocorre no mesmo dia em que o governo argentino anunciou um acordo de swap cambial com os Estados Unidos, no valor de US$ 20 bilhões (cerca de R$ 108,7 bilhões), com o objetivo de reforçar as reservas internacionais e conter a inflação.
🔹 O que é o swap cambial: trata-se de uma troca temporária de moedas entre países, usada para aumentar a estabilidade financeira e proteger a economia de variações cambiais. Na prática, o mecanismo permite que a Argentina obtenha dólares sem recorrer a empréstimos convencionais e devolva a moeda após um prazo, com correções de juros e câmbio.
Com a desvalorização do peso argentino e a fuga de capitais agravando a crise, o governo de Milei busca apoio de Washington para evitar um colapso financeiro. Diferentemente do Brasil, a economia argentina é altamente dolarizada imóveis, veículos e até serviços são precificados em dólar, o que torna o país ainda mais vulnerável a oscilações cambiais.
Além do swap, os Estados Unidos prometeram outros US$ 20 bilhões em recursos públicos e privados, elevando o pacote total de ajuda a US$ 40 bilhões (cerca de R$ 217,6 bilhões).
Trump justificou o socorro: “Eles não têm dinheiro… estão lutando para sobreviver”, declarou à imprensa.
A renúncia de Werthein ocorre em um momento político delicado para Milei. Após a vitória dos peronistas nas eleições legislativas de Buenos Aires, em setembro, aumentaram os temores de que a oposição possa fortalecer-se no Congresso e dificultar a governabilidade na segunda metade do mandato.
Fonte: G1
