A Universidade de Harvard rompeu o silêncio diante da decisão do governo do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impede a matrícula de estudantes internacionais em instituições norte-americanas. Em um posicionamento firme, a universidade classificou a medida como “ilegal” e afirmou que seguirá empenhada em manter seu compromisso com a diversidade internacional, que hoje representa uma parcela significativa de sua comunidade acadêmica.
Com estudantes e pesquisadores vindos de mais de 140 países, Harvard alerta para as consequências profundas que a medida pode gerar não só para sua missão educacional, mas também para o cenário científico e social dos Estados Unidos. O porta-voz da universidade, Jason Newton, destacou que a instituição está mobilizada para orientar os estudantes afetados e tentar mitigar os impactos. “Essa ação retaliatória ameaça causar sérios danos à comunidade de Harvard e ao nosso país, além de minar a missão acadêmica e de pesquisa da universidade”, declarou.
A decisão do Departamento de Segurança Interna (DHS) atinge diretamente os quase 10 mil integrantes da comunidade internacional da universidade, dos quais 6.793 são estudantes regulares, representando mais de um quarto da matrícula prevista para o ano letivo de 2024-2025. A preocupação entre acadêmicos da instituição cresce diante da possibilidade de um esvaziamento que comprometa a qualidade e o alcance global da produção acadêmica americana.
Entre os críticos da medida, está o economista e professor de Harvard Jason Furman, que atuou no governo de Barack Obama. Para ele, a decisão é “horrível em todos os níveis”. Em sua análise, além de limitar o intercâmbio de ideias e a inovação, a restrição ameaça uma das maiores fontes de influência global dos Estados Unidos: o ensino superior. “É impossível imaginar Harvard sem nossos incríveis estudantes internacionais. Eles são um enorme benefício para todos aqui e para os Estados Unidos em geral”, afirmou.
A universidade espera que a decisão seja revertida o mais rápido possível, a fim de evitar prejuízos mais graves e preservar o papel estratégico que as universidades norte-americanas exercem no cenário global do conhecimento.
