Israel manifesta interesse em paz com Síria e Líbano mas descarta negociar Colinas de Golã

A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em Jerusalém
Compartilhe

Em meio a novos movimentos diplomáticos no Oriente Médio, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou nesta segunda-feira (30) que o país está disposto a buscar relações formais com dois de seus mais antigos rivais: Síria e Líbano. No entanto, Saar deixou claro que o controle israelense sobre as Colinas de Golã não será objeto de negociação.

A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em Jerusalém, na qual o chanceler destacou o interesse de Israel em ampliar os acordos de normalização com vizinhos árabes, especialmente após o recente enfraquecimento da influência iraniana na região. “Temos interesse em incluir países como a Síria e o Líbano no círculo de paz e normalização”, disse Saar, reforçando que essa abertura não comprometerá o que chamou de “interesses essenciais de segurança”.

As Colinas de Golã, capturadas da Síria por Israel durante a Guerra dos Seis Dias em 1967 e anexadas unilateralmente em 1981, seguem sendo um ponto de intensa disputa internacional. Embora a maior parte da comunidade global reconheça o território como parte da Síria, os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, reconheceram formalmente a soberania israelense sobre a área, decisão que provocou forte reação de países árabes.

Do lado sírio, uma autoridade sênior ouvida sob anonimato reafirmou que o país jamais abrirá mão das Colinas de Golã, classificando-as como “parte integral do território sírio”. Para Damasco, qualquer esforço de aproximação com Israel deve passar necessariamente pela Iniciativa de Paz Árabe de 2002, e não por acordos bilaterais à parte, como os firmados em 2020 entre Israel e países como Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Marrocos.

Esses acordos, apesar de estratégicos para Tel Aviv, continuam a ser vistos com ceticismo por boa parte do mundo árabe. As tensões permanecem elevadas, principalmente após quase dois anos de confrontos em Gaza e ofensivas israelenses em solo libanês e sírio, mirando o Hezbollah e antigos aliados do governo Assad.

A proposta de Israel, portanto, surge em um momento de complexa recomposição geopolítica na região. A viabilidade de uma aproximação real com Síria e Líbano, porém, esbarra em décadas de desconfiança, interesses opostos e fronteiras ainda em disputa.

Você pode gostar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode se interessar
Publicidade