Após quase dois anos sem conversas diretas, os presidentes Vladimir Putin, da Rússia, e Emmanuel Macron, da França, voltaram a se falar nesta terça-feira. Segundo o Kremlin, o telefonema foi “substancial” e durou cerca de duas horas, abordando temas sensíveis como a guerra na Ucrânia e a crescente tensão entre Irã e Israel.
Em relação ao conflito ucraniano, Macron voltou a defender um cessar-fogo imediato e o início de negociações de paz. Putin, por sua vez, manteve o discurso de que a guerra é consequência da política ocidental que teria, segundo ele, desconsiderado os interesses de segurança da Rússia. Para o presidente russo, qualquer acordo futuro deverá reconhecer as “novas realidades territoriais”, em referência à anexação de partes do território ucraniano algo rejeitado pela comunidade internacional.
O gabinete de Macron reiterou o “apoio inabalável da França à soberania e à integridade territorial da Ucrânia” e afirmou que cabe exclusivamente aos ucranianos decidir os termos de uma eventual negociação.
O telefonema também abordou a questão nuclear iraniana, especialmente após o Parlamento do Irã aprovar a suspensão da cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em resposta a bombardeios israelenses e norte-americanos a instalações nucleares iranianas. Putin defendeu o direito do Irã ao uso pacífico da energia nuclear, dentro dos parâmetros do Tratado de Não Proliferação Nuclear. Macron, por sua vez, cobrou do governo iraniano total transparência com a AIEA e reforçou a busca por uma solução diplomática para as preocupações nucleares e militares envolvendo Teerã.
Ambos os líderes sinalizaram disposição para manter o diálogo sobre os dois temas. Membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, Rússia e França voltam a se aproximar num momento em que a tensão internacional exige canais diplomáticos abertos, ainda que cercados por desconfiança e divergências profundas.
